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Operação férias

Por Revista Síndico
Última atualização: 13/10/2020
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ana carolina
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Juliana Marques

 

O período de férias escolares chegou e com ele a preocupação de síndicos e administradores em proporcionar um ambiente seguro para as brincadeiras da criançada. Cumprir obrigações e fazer com que alguns pontos sejam respeitados é o ideal para levar conforto e segurança a todos os condôminos. Contudo, para que a alegria possa estar garantida, principalmente para os pais, o espaço condominial deve estar com toda a estrutura em adequada conservação e supervisionada para que nenhum acidente ocorra.

 

Supervisão dos responsáveis deve ser prioridade

Nos primeiros meses do ano as crianças passam a maior parte do tempo nas áreas de

lazer dos condomínios, até mesmo por conta dos dias de sol e calor. Piscinas, parquinhos e playgrounds são os locais mais disputados e por isso exigem cuidado redobrado por parte dos síndicos. Para evitar acidentes, o condomínio precisa estar em dia com toda a rotina de limpeza e proteção.

 

De acordo com dados do Centro de Estudos e Pesquisas do Prontobaby, há um aumento de 25% no volume de acidentes com crianças envolvendo quedas, afogamentos e queimaduras durante o período de férias. E o que mais está ligado aos condomínios em torno deste número é o uso da piscina. O local, por diversas vezes, não está apropriado em termos de estrutura e supervisão de profissionais tornando-se, assim, um ponto de risco.

 

A preocupação com as piscinas nos condomínios é válida, mas isso não deve ser um fator que iniba o uso do local. Os acidentes no recinto podem ser evitados com medidas simples e já conhecidas adotadas pelos síndicos e os responsáveis pelas crianças, especialmente em relação ao respeito dos limites de uso e a supervisão direta.

 

Síndico de um condomínio na Barra da Tijuca, Andre Henrique está sempre atento aos itens de segurança da área de lazer. “Na época de férias a frequência de moradores no local mais que dobra e a nossa preocupação também. Por isso, além do condomínio estar com a sua manutenção em ordem, é importante que os moradores tenham ciência que os funcionários possuem responsabilidades específicas à sua função. Isso porque os acidentes nesses locais podem ocorrer por erros que, infelizmente, são comuns, como criança cuidando de criança, adultos que dispersam pelo uso do celular e, na grande maioria, a falta de conhecimento em casos de acidentes”, ressalta.

 

O uso das áreas comuns do condomínio acaba sendo a opção de muitos pais durante as férias escolares por inúmeros motivos. Além de ser mais prático, pois a estrutura já existe e está a poucos metros de casa, o local traz uma sensação de segurança, por fazer parte de um ambiente interno.

 

Moradora do Condomínio Des Arts, em Botafogo, há 2 anos, Ana Carolina Amado concorda que a maior vantagem de morar em um local que oferece esse tipo de estrutura é a oportunidade de se divertir com sua filha, a pequena Manuela de 3 anos, com conforto e segurança. “As crianças precisam de espaço para correr, se sujar, brincar e gastar energia, e um play que tem essa estrutura ajuda muito os pais quando as crianças precisam desse momento. Aqui nós brincamos na piscina nos dias de sol e calor, andamos de patinete, de bicicleta, além de brincar no parquinho com brinquedos doados pelos próprios condôminos”, comenta.

 

Apesar do aumento na circulação de pessoas exclusivamente em alguns meses do ano, cabe ao síndico deixar claras as regras internas visando a organização do ambiente. Essa tarefa pode ser executada através da distribuição de cartas e circulares aos moradores, bem como a fixação de cartazes com informações sobre os horários de funcionamento de alguns ambientes, como piscinas e brinquedotecas, uso do espaço por parte de convidados e até mesmo instruções de reserva antecipada. As comunicações devem esclarecer, inclusive, de quem é a responsabilidade por eventuais danos e se é permitida a presença de menores desacompanhados por um responsável.

 

Para a advogada Virgínia Santos, o síndico não é o responsável pelas crianças dentro do condomínio, a responsabilidade legal é dos pais ou dos seus tutores. Ao síndico cabe a manutenção das áreas comuns e o funcionamento adequado das áreas comuns. “Se um menor se acidentar no parquinho pelo fato deste estar inadequado perante à norma ABNT NBR 16071/12 (segurança em playgrounds), o síndico pode responder pessoalmente pelo dano na esfera cível e criminal correspondente ao que ocorrer em função da falta de manutenção, desde que provada a sua omissão na manutenção, e que essa omissão tenha sido a causa do acidente. Os gestores dos prédios devem fiscalizar, mas não devem chamar a atenção das crianças ou brigar com as mesmas. Apenas devem relatar aos pais as situações que não estejam em conformidade, mas repreender os menores somente em casos extremos a fim de se evitar algum acidente ou situação perigosa iminente”, orienta.

Mais áreas com atenção redobrada

Mas não são apenas nos locais onde estão instalados os espaços de lazer que a atenção do síndico deve se concentrar. Com um número maior de crianças circulando nas áreas comuns, é preciso redobrar a atenção em locais como elevadores, garagem, escadas e até mesmo áreas de acesso restrito, como caixas d’água e casa de máquinas. Outro ponto importante é com a segurança na entrada e saída de moradores e visitantes do prédio, seja a pé ou mesmo nas saídas dos veículos. Muitos acidentes são passíveis de acontecer por descuidos.

 

Nos espaços projetados para crianças de qualquer idade deve-se também ter mais cuidado com janelas e peitoris. Recomenda-se, inclusive, avaliar o investimento na instalação de grades ou redes de proteção. Caso não seja possível, evite colocar mobiliários próximos às janelas e parapeitos, como bancos, cadeiras e pufes, que são fáceis de escalar. O mesmo vale para os brinquedos que não devem ficar perto de janelas. Tomadas também precisam de atenção, principalmente as que ficam em alturas baixas. Todas devem receber aquela a tampa de proteção típica para evitar contatos inesperados.

 

Gangorra, escorrega e balanço são brinquedos que, infelizmente, registram um bom número de incidentes. Eles devem ser revisados, no mínimo, uma vez ao ano. Se apresentarem pontos de oxidação, devem ser tratados imediatamente. Por serem construídos, em sua maioria, com estrutura metálica e ficarem expostos ao tempo, caso não seja realizada uma manutenção adequada, podem sofrer com a oxidação, especialmente nos pontos de fixação no chão e nas partes mais altas, que recebem mais sol e chuva. Assim, além dos acidentes estruturais, a criança pode acabar se cortando nas partes enferrujadas, ficando exposta ao tétano e a outras doenças.