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As novas formas de morar

Por Revista Síndico
Última atualização: 06/07/2021
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Os últimos meses acarretaram mudanças profundas na nossa sociedade, inclusive nas estruturas familiares. Teve gente que voltou a morar com os pais, gente que “fugiu” para o interior ou para as montanhas, muita gente que começou a trabalhar em casa etc. Todos esses movimentos provocam mudanças comportamentais que, para muitos, serão permanentes num futuro pós-pandemia.

Nos condomínios, essas “novas formas de viver” também ganharam espaço. As assembleias, agora, em sua maioria, são virtuais ou híbridas. As crianças precisam de mais e de novos espaços de lazer, já que o ficar em casa tornou-se o novo normal. Tais mudanças também implicaram em adaptações na rotina de síndicos e funcionários, que se viram obrigados a adotarem diversos e novos procedimentos.

“Sem dúvida, o modus operandi mudou. A forma de convívio dentro dos condomínios mudou muito e a tendência é que essas adaptações se tornem permanentes”, afirma o gerente geral de condomínios da APSA, Giovani Oliveira, que ainda completa: “A verdade é que as pessoas estão cada vez mais dentro de casa. Isso mudou muito as regras de convívio. Num cenário anterior, as pessoas saíam de manhã, chegavam à noite e os pontos de contato eram bem menores”.

Um outro ponto que também chama a atenção no período é o aumento das entregas, sejam de compras on-line ou de delivery. Um comportamento que também tem impactado nas atividades da portaria e das áreas comuns.

“Tem mais gente circulando dentro do condomínio, a partir do momento que as entregas tomaram uma proporção muito maior. E muitas vezes com a característica de que o entregador não vai até a unidade, ele apenas deixa a mercadoria na portaria e o empregado é quem fica responsável pela entrega ao morador. Isso acontece agora com muito mais intensidade”, diz Giovani.

Para ele, além de todas essas modificações, a busca por imóveis e por espaços que tivessem mais lazer, além de serviços como entrada controlada e protocolos rígidos de segurança também aumentou, numa tendência que deve se manter.

“Já que ficar o tempo todo dentro de casa é praticamente impossível, as pessoas querem encontrar formas de viver numa sociedade na qual esse tipo de atrativo social exista, mas com os controles necessários. Você vê que, algumas pesquisas, inclusive lá fora, mostram que uma parcela importante da população se mudou, justamente em busca de espaços maiores. E muitas vezes, esses espaços não estavam nem nas dependências do condomínio, mas na própria residência. Apartamentos que pudessem contemplar um ou mais de um home office, por exemplo, além de casas com quintal. Esses imóveis voltaram a ser muito procurados”, ressalta. 

A vida do síndico também não anda nada fácil. Se antes, a resolução de conflitos era um dos maiores desafios da gestão, imagine agora com a maioria dos condôminos em casa. Além disso, a aplicação das normas dos decretos municipais e estaduais estiveram – e continuam – na mão dos síndicos durante toda a pandemia. Foi o síndico que decidiu abrir ou fechar as áreas comuns, de acordo com as orientações de controle da pandemia. E isso também implica – e muito – nas decisões e no cotidiano do prédio.

homem sorrindo
Giovani Oliveira, gerente geral de Condomínios, acredita que a pandemia forçou uma mudança grande na relação das pessoas com as suas residências

“O síndico precisou continuar atento, o tempo todo, às diversas adaptações das fases do distanciamento social. Em determinados momentos mais severos, as áreas comuns foram fechadas. E isso mudou muito de acordo com a cidade e com a fase de avanço do contágio. E aí entra com força total o papel do síndico e da administradora na orientação, sempre procurando trazer o que naquele momento está valendo, investindo na comunicação prévia e nos comunicados”, comenta Giovani Oliveira.

Para a psicóloga Bruna Richter, cada família experimentou o período de uma maneira singular. “Da mesma forma que muitos casais se separaram por não conseguirem acompanhar de perto certas especificidades de seus cônjuges que antes passavam despercebidas, outros tantos reforçaram a vinculação com seus familiares a se permitirem conhecer melhor aqueles que encontravam apenas esporadicamente. Logo, o excesso de convivência foi percebido de maneira distinta diante das diferentes subjetividades”, afirma.

A psicóloga acredita que essas transformações, em muitos casos, serão irreversíveis, mas que é importante entender que, no pós-pandemia, outras mudanças virão e teremos que nos adaptar.

“Devemos, antes de tudo, questionar essa noção que possuímos de normalidade. Entender que nossas condutas são datadas e direcionadas por normas e regras vigentes em determinado período pode ajudar a nos fornecer essa perspectiva. Sendo assim, um comportamento mais saudável é aquele que se ajusta e se flexibiliza de acordo com a conjuntura que desponta e não aquele que fica preso a um único modo de atuação existente no passado. Conseguir manter a fluidez diante de um mundo em constante mudança pode ser bastante benéfico”, afirma a especialista.

 

Mudanças também nos serviços para os condomínios

Com as crianças em casa full time, o parquinho, a brinquedoteca, a casa dos vizinhos e as áreas comuns tornaram-se, muitas vezes, a única opção de lazer para os pequenos. Com isso, outras demandas também surgiram. É o que conta Percila Paloma, gerente de Marketing e Vendas da Nogueira Brinquedos, especializada, entre outros serviços, em brinquedotecas e brinquedos de grande porte para condomínios, restaurantes e escolas.

Como os pais não estavam podendo levar as crianças ao parque e à escola, por exemplo, muitos estavam pressionando os condomínios para que eles tivessem uma área de lazer mais elaborada. Lojas e restaurantes também passaram a adotar um cantinho para crianças numa tentativa de levantar o fluxo de clientes – explica ela, que conta ter percebido uma média de 30% de aumento dessa demanda em condomínios e de 45% em restaurantes, em comparação ao ano anterior.

Hoje, os dois segmentos acabaram se tornando os que a empresa mais atua.  “Acredito que, hoje, com tantas opções de diversão em casa, que vão de brinquedos a mil opções no streaming, acho que o segmento de casas de festas e de atividades infantis vai ter que se reinventar para trazer o público de volta. Não vai ser tão fácil assim”, opina Percila.

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Percila, da Nogueira Brinquedos, conta que a procura pela instalação de brinquedos dentro dos condomínios cresceu 30%

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



“E vou além, até mesmo unidades e coberturas estão nos procurando para montar brinquedotecas. É uma opção. Não substitui o convívio, porque já foi comprovado por psicólogas e psicopedagogas que a criança que não tem convívio com outras, pode ter problemas psicológicos. Se para o adulto é difícil, imagine para uma criança”, provoca.

parque para crianças
A psicóloga Bruna Richter chama a atenção para a importância de se observar não somente as crianças, mas também os idosos, outro grupo de pessoas que ganhou protagonismo na pandemia.

Crianças e idosos constituem grupos de bastante vulnerabilidade que precisam ser observados, com um olhar mais atento, para que se preserve sua integridade psíquica. Neles os impactos emocionais tendem a ser maiores, pois a rotina de ambos passou por modificações mais rigorosas. Nos dois casos é indicado que exista, de forma frequente, o estímulo cognitivo e a evitação de excesso de informação desnecessária. Além disso, é fundamental reforçar a importância de novos hábitos de higiene, da necessidade de exercícios físicos regulares e da busca pela integração na própria rotina da casa”, diz.

E o segmento de lazer não foi o único impactado pela pandemia. A segurança predial também passou por mudanças. “As pessoas realmente ficaram muito mais em casa, as famílias juntas, e na portaria tivemos muitas entregas, delivery, nosso trabalho aumentou. O pessoal passou a valorizar o trabalho dos porteiros, vigilantes, que são essenciais”, afirma Luciano Caruso, diretor geral do Grupo Haganá, especializado em segurança privada.

homem sorrindo
Luciano, do Grupo Haganá, conta que a crise sanitária provocou maior preocupação com a segurança predial:reconhecimento facial e portaria remota foram os destaques



Caruso conta que, de uma forma geral, as pessoas passaram a buscar a experiência sem toques, conhecida também como touchless experience, com opções com sensor de presença para abrir portões e até armários de entrega nos quais os entregadores deixam o pedido, evitando o toque e o encontro com o condômino.

“As tecnologias desse mercado evoluíram muito. Conseguimos desenvolver e usar esse tipo de solução, o que nos ajudou bastante durante a pandemia. As pessoas não querem mais usar a biometria por conta do dedo. Também tivemos uma adesão enorme do reconhecimento facial, uma tecnologia que reconhece rostos, mesmo com máscara. Para se ter uma ideia, estamos nesse negócio há mais de nove anos e o que vendemos de reconhecimento facial na pandemia, não vendemos nos outros oito, foi um aumento de cerca de 300%”, conta ele.

Outro item em destaque é a portaria remota que, segundo Caruso, teve um drástico aumento de chamados por conta das entregas. “Subiu em torno de 120% a quantidade de chamados em uma central remota. Se eu atendia dez ligações, eu passei a atender 20 por hora. O trabalho da portaria no mínimo duplicou e a portaria remota atende mais de um condomínio, então, a demanda é muito grande. E você não pode aumentar o custo do cliente, pelo contrário, a pandemia foi tempo de renegociar contratos e também de inadimplência. Então, é mais uma situação delicada que foi necessário enfrentar”, conta ele.

Caruso acredita que, no pós-pandemia, tais ferramentas serão incorporadas de vez na rotina dos condomínios. “Uma vez que as pessoas experimentam tecnologia e começam a usá-la, é difícil elas voltarem atrás. Alguém que nunca pediu iFood vai usar outras vezes depois da pandemia, assim como o reconhecimento facial, que é muito mais prático e fácil”, aposta.

O que esperar do futuro?

E depois que a vacina chegar? Já se perguntou o que vai acontecer ou como será o mundo? Estudos comprovam que tendências como o home office e o advento da tecnologia vão continuar.

A aceleração dos processos digitais vai ficar, certamente. Tudo o que se refere a se comunicar com uma maior segurança, comodidade, vai estar incorporado no dia a dia do condomínio. A troca de informações, os comparecimentos à administradora… Muitos síndicos iam às administradoras para levar um documento, tirar uma dúvida, trocar com o seu consultor. Isso vai continuar a acontecer, mas numa intensidade menor. Por isso, moldamos nossos serviços para atender ao cliente na conformidade do perfil dele”, afirma Giovani Oliveira.

Já a psicóloga Bruna Richter prevê um novo momento no qual a atenção à saúde mental vai ganhar importância crucial. “Esse não é um período fácil e seria uma grande injustiça tentar reduzi-lo. Ainda que alguns consigam driblar com maior facilidade os percalços e obstáculos que emergem nesse momento, a grande maioria se percebe com excesso de afazeres, administrando um maior número de atividades e com muito receio de um futuro incerto nas mais diferentes áreas. Tornam-se mais frequentes os casos de angústia, de humor deprimido e de irritabilidade. Todos nós somos impactados em menor ou maior grau pelas modificações decorrentes da doença. Quanto a isso, ninguém possui imunidade”, conclui. 

 

 

Por: Mario Camelo

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