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Coliving X Coworking – Um jeito de morar e de trabalhar

Por Revista Síndico
Última atualização: 16/11/2020
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Alta Resolução99 (1)
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Imagine morar em um estúdio totalmente mobiliado, em um condomínio com área de convivência integrada, onde você possa não só usufruir de espaços comuns de lazer, mas que também seja estimulado a compartilhar experiências reais de convivência com seus vizinhos.

Onde interaja apenas com pessoas com gostos e valores semelhantes aos seus. Onde seja possível cozinhar em grupo e ampliar seu networking, compartilhar espaços multiusos e contratar serviços pay-per-use, pagando apenas quando usar.

Tudo isso em um prédio localizado em ponto privilegiado, a poucos metros dos principais centros de cultura, comércio e transporte da cidade.

Calma! Esse não é mais um anúncio de lançamento de empreendimento imobiliário. Na verdade, essa é a proposta do coliving, a nova tendência de moradia compartilhada que promete resgatar o caráter comunitário da vida nas cidades contemporâneas.

“São muitas as vantagens da moradia compartilhada: destaco a interatividade e a proximidade com os amigos. Jogamos juntos, trocamos ideias, montamos jantares pensando em todos: veganos, vegetarianos, intolerantes a lactose, carnívoros.

A cada refeição juntos, desenvolvemos uma estratégia para ninguém ficar de fora”, divide Carolina Castro dos Santos, jornalista de 26 anos que, desde julho de 2018, mora no Oka Coliving, projeto de moradia compartilhada em Porto Alegre (RS).

No geral, o coliving busca unir os conceitos de privacidade e compartilhamento; conjuga pequenos apartamentos com áreas comuns fartas em serviços e equipamentos, em bairros com boa localização e estrutura, promovendo aos moradores uma intensa vida em comunidade.

A iniciativa nasceu na Dinamarca, em 1972, com nome de cohousing. Na ocasião, cerca de 30 famílias viviam juntas, em moradias privativas, compartilhando espaços de convivência e atividades, como cozinhar e limpar.

A prática ressurgiu com força nas primeiras décadas dos anos 2000, impulsionada especialmente pelo crescimento da economia colaborativa e de seus serviços compartilhados, como Uber, Ifood e Airbnb. “Apesar de toda tecnologia e contato que temos, as pessoas se sentem sozinhas hoje em dia.

O coliving vem para solucionar o problema da falta de conexão. Sua ênfase é o compartilhamento. Alguns espaços, como a cozinha, são de uso coletivo. Isso leva as pessoas a respeitarem as regras e a prezarem pela harmonia do grupo, agregando à comunidade.

Não vemos isso nos condomínios tradicionais, onde os moradores se isolam em seus apartamentos e pouco interagem com os vizinhos”, expõe Ricardo Neves, fundador e gestor do Oka Coliving.

A moradia compartilhada tem adeptos pelo mundo todo e começa a dar passos mais largos no Brasil. O primeiro projeto do tipo foi o Kasa 99, prédio na Vila Olímpia, em São Paulo, onde atualmente vivem cerca de 300 pessoas. Cidades como Curitiba e Porto Alegre também já possuem moradia compartilhada.

No Rio de Janeiro, está previsto para 2021 o lançamento do Hub Coliving, empreendimento pioneiro com 81 unidades, a ser localizado no Centro da Cidade. “O que mais nos surpreendeu no começo foi a dificuldade do brasileiro em entender o conceito.

O lugar foi feito para ser compartilhado — e as pessoas adoravam a ideia — mas faziam completamente diferente depois que se mudavam. Foi um trabalho grande desenvolver eventos internos e informações para que as pessoas interagissem mais, fizessem amizade, networking”, afirma Renato Orfano Marostega, gerente geral do Kaza 99.

Modelo de Negócio X Processo de Gestão

A maior parte dos projetos de moradia compartilhada é gerida por empresas ou startups. Mais do que comercializar ou alugar unidades, elas vendem um estilo de vida.

Cada empreendimento é criado com espaços compartilhados, como sala de estar, cozinha, sala de jantar, lounge, terraço, lavanderia e espaço de reuniões de trabalho e coworking.

“Nós somos um coliving, mas também somos um prédio residencial. Temos toda a estrutura que um condomínio precisa ter, como síndico, assembleias e administradora, por exemplo. A gestão é bem complexa, pois temos de administrar várias necessidades e gostos diferentes dos colivers.

Como possuímos gestão própria e estamos dentro do condomínio, fica mais fácil conversar diariamente com as pessoas, entender do que mais gostam e direcionar os eventos, as áreas de convivência e os serviços pay-per-use. As regras são as mesmas de um condomínio comum.

A única diferença está nas normas de compartilhamento: os espaços comuns não podem ser locados como locais tradicionais, por exemplo. Qualquer atividade feita por um morador poderá ter a presença de um outro morador e a convivência deve ser harmônica”, explica Renato, do Kaza 99.

O modelo atrai em especial os millennials, nome pelo qual ficaram conhecidos os nascidos entre o início da década de 1980 e os anos 2000.

Também chamados de Geração Y, os millennials são altamente tecnológicos e revolucionaram a forma de consumir produtos e serviços, ao priorizarem o compartilhamento, a sustentabilidade e o minimalismo em detrimento do conforto e do luxo.

“Intercalo bem os momentos de interação e os de reserva. Geralmente, gosto de interagir com os outros moradores à noite, ver tv, cozinhar, conversar no terraço. No entanto, nos momentos em que preciso trabalhar ou estudar, fecho a porta do meu estúdio ou coloco um fone de ouvido na sala. Todo mundo entende”, afirma a coliver Carolina Castro dos Santos.

O modelo de negócio do coliving se estrutura de forma que, ainda que o valor de venda e locação de um estúdio seja um pouco acima do praticado no mercado, o usuário acaba economizando – e muito – no condomínio, já que os gastos são rateados coletivamente.

“Os desafios da gestão em um projeto de moradia compartilhada são parecidos com os de um condomínio tradicional, mas há situações que devem ser tratadas de forma diferenciada. As áreas de uso compartilhadas precisam de atenção especial dos gestores, com regras específicas e detalhamento sobre a utilização compartilhada de instalações e de seus equipamentos. Há de ficar claro também como funcionará o rateio das despesas”, destaca Edgar Poschetzy, gerente de Negócios da APSA.

Não raro, as contas comuns de uma unidade, como luz, água, internet, TV a cabo, gás e, em alguns casos, até faxina, estão todas incluídas no valor do condomínio. Algumas unidades contam, inclusive, com abastecimento de papel higiênico, produtos de limpeza e lixeiras. O foco é a economia. Seja financeira, de recursos ou de trabalho.

“É importante que as convenções e regulamentos desses empreendimentos sejam modernos e eficazes, dispondo claramente sobre todos os equipamentos e espaços que serão entregues.

Tem de se definir se a utilização será através do sistema de pay per use; quais e quantos serão, precisamente, os equipamentos nesse sistema; quais as regras que orientarão a utilização compartilhada das instalações e equipamentos; como será organizado/administrado o condomínio e como deverão ser feitos os rateios das despesas de manutenção; quais serão as sanções a que estão sujeitos os condôminos ou possuidores”, complementa Edgar, da APSA.

Ricardo Neves – Oka Nova York

Uma realidade que demanda um novo perfil de síndico gestor e uma nova relação com as pessoas: “Cada vez mais, haverá menos intermediadores na jornada entre a moradia e o morador.

O gestor de um coliving precisa ser, antes de tudo, antenado com internet e redes sociais, ter intimidade com comunicação rápida e instantânea com os moradores. Ter um olhar mais humano, com o foco na construção de uma relação colaborativa com as pessoas.

Seu objetivo deve ser o de conectar os moradores, ativar o senso de comunidade. Não basta gerenciar o coliving; seu papel de gestor precisa ser reconhecido pela comunidade, e isso só acontece se ele verdadeiramente mesclar sua vida pessoal com a social”, avalia Ricardo Neves, da Oka.

A Convivência

Para garantir que os colivers tenham efetivas afinidades entre si e que a convivência diária seja maximizada, imobiliárias e administradoras têm investido certo tempo na análise de perfil dos moradores. Não raro, as empresas agendam reuniões e encontros prévios com moradores em potencial.

O objetivo é construir conexões. “Nos tornamos uma família grande, em que cada uma das pessoas, com suas diferenças, tem de aprender sobre limites, parceria, compartilhamento e sobretudo tolerância.

Não é apenas sobre morar junto, é um estilo de vida em que aprendemos diariamente uns com os outros o conceito – na teoria e na prática – de comunidade”, entusiasma-se Carolina.

“As empresas de moradia compartilhada crescem 20, 30 vezes ao ano fora do Brasil, recebendo milhões de investimento. A demanda existe aqui também. Há um oceano azul de oportunidades. Diariamente, nossos moradores estão vivendo bem, se conectando e se tornando melhores pessoas. O coliving chegou para ficar”, finaliza Ricardo Neves.

Por: Aline Durães

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