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O retrô é o oposto do ‘cringe’

Por Revista Síndico
Última atualização: 19/04/2022

sala
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A nostalgia é um elemento poderoso e, quando usada de forma certeira, pode transformar a decoração de um ambiente em algo único. Não é à toa que o retrô está entre os estilos queridinhos entre profissionais do ramo e clientes. Mas, ao contrário do que algumas pessoas acreditam, ele é muito mais do que copiar o passado. 

A arquiteta Sabrina Gnipper explica que o retrô é a reinterpretação de peças ou características que marcaram uma época. Não necessariamente precisa ser uma peça legítima e original. “Quando pensamos no estilo retrô, incorporamos à decoração elementos que fazem referência ao que era usado antigamente, principalmente entre as décadas de 1950 e 1980. Quando falamos de decoração vintage, esse conceito remete a algo mais clássico, do final do século XIX até a década de 1960. Para o estilo retrô, os designers reproduzem peças com características que marcaram uma época, como por exemplo os pés palitos em móveis. Podemos explorar isso não só por meio do mobiliário, mas também com tecidos e estampas, tal como utilizar uma cortina que remete aos anos 1970 ou um sofá estampado. Já no vintage as peças são garimpadas em antiquários ou são herança de família”, explica a profissional. 

Ela acrescenta que as cores vibrantes são uma das fortes características do retrô. São cores expressivas e demarcadas, principalmente com azul, preto, vermelho, amarelo e laranja. “Os móveis retrô têm uma geometria interessante, cores vibrantes, cara de aconchego e algo que lembra casa de vó. A melhor forma de utilizá-los é com um fundo mais neutro. O ideal é combinar com outros elementos decorativos, como tapetes e almofadas”, comenta. 

A profissional alerta, no entanto, para o cuidado de não deixar o projeto com cara de antiquado. “Tem que ser atual com um toque nostálgico. Então o ideal é escolher algumas peças-chave, dependendo do ambiente. Por exemplo, em cozinhas, podemos utilizar eletrodomésticos modernos que foram fabricados para lembrar esse estilo, como batedeira, geladeira, frigobar; em salas, podemos usar poltronas e rack com pés palitos, além de estampas nas cortinas, sofás, almofadas, tapetes e pufes”, orienta. 

A arquiteta frisa, ainda, que é interessante conhecer bem a personalidade da pessoa que vive no ambiente: “Acredito que vale a pena uma investigação para saber o motivo por essa preferência. A partir disso, a gente vai explorar esse senso de identificação. Se for a cor, a gente tenta abusar um pouco mais das cores. Se for pelo design, a gente pode até trabalhar com cores mais neutras, mas com móveis que tenham essas características geométricas mais demarcadas. Já se for mais por uma questão de memória afetiva, procuro identificar quais peças geram essa sensação no cliente. As escolhas do projeto realmente dependerão de como ele interpreta o espaço”.

 

Cara de passado, mas com tecnologia de ponta

Apesar de remeter ao passado, o estilo retrô possui atualmente elementos modernos e tecnológicos que ajudam para o conforto no dia a dia. A arquiteta Amanda Mori integra o escritório Go Up Arquitetura, que tem uma série de projetos neste segmento. Ela cita exemplos neste sentido. 

“Podemos usar porcelanato com alta definição de imagem que reproduz ladrilhos hidráulicos antigos, mas possui toda a tecnologia de resistência e durabilidade. Essa prática é bem mais comum do que as pessoas imaginam. Isso porque existem muitas opções de reproduções de peças e materiais que não são feitos como na originalidade de suas épocas. Enquanto o design muitas vezes se torna atemporal, a tecnologia por trás dele continua a evoluir”, diz. 

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Os objetos retrô tendem a ser mais marcantes e enjoar com mais facilidade, por isso toque pode estar em espelhos, telefones, cafeteiras etc.

Ela diz que uma boa dica ao apostar no estilo é investir em itens de mais personalidade em pontos que sejam mais fáceis de trocar. Os objetos retrô tendem a ser mais marcantes e podem enjoar com mais facilidade. “Isso pode ser visto bem em um de nossos projetos (com foto na matéria). O toque retrô está nos espelhos, telefones, cafeteiras… É muito mais fácil trocar esses itens do que trocar um piso, por exemplo. E muito menos provável de enjoar do que um revestimento. Outra dica que sempre dou é utilizar uma paleta de cores atemporal”, comenta. 

Amanda ressalta que existem soluções de baixo custo que podem ser usadas com muito sucesso. “A gente sempre acaba olhando para o passado em busca de soluções para os problemas atuais. Por exemplo, pinturas em meia parede são uma solução barata para vestir ambientes e dar cor aos espaços. É uma releitura dos antigos lambris de madeira”.

 

Foco no paisagismo 

O paisagismo é outro ponto que precisa ser pensado ao investir na decoração retrô de um ambiente. A paisagista Renata Guastelli diz que existem espécies mais comuns para projetos deste estilo: “As samambaias, antúrios e costelas de adão remetem aos anos 50 e estão super em alta. Além disso, espécies como primavera, jasmim e maria sem vergonha eram muito populares nas casas dos nossos avós. Por isso, são boas pedidas para o retrô”, comenta. 

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A paisagista Renata Guastelli diz que existem espécies mais comuns para projetos deste estilo: “As samambaias, antúrios e costelas de adão remetem aos anos 50 e estão super em alta”

Ao planejar um jardim retrô, ela orienta: “É preciso pensar na composição dos vasos, ou se for direto no jardim, na terra. Se for nos vasos: atenção em quais serão escolhidos. Alguns são mais atuais, modernos e não conversam com as plantas retrô. Minha dica é apostar em objetos guardados ou aqueles perdidos em armários da casa da vovó. Você pode colocar gaiolas, lanternas antigas, objetos de metal para harmonizar com flores, vasos em estilo vintage para samambaias”, conclui. 

 

Por: Gabriel Menezes

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