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Planeta Água

Por Revista Síndico
Última atualização: 13/10/2020

GIOVANDA (2)
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Veronica Mondarto

A água, elemento precioso, não só para a sobrevivência dos seres humanos, mas também para a flora e fauna de todo o planeta, deve ser preservada e usufruída com moderação e compreensão ecológica. Comemorado em 22 de março, o Dia Mundial da Água serve como uma oportunidade para a reflexão e conscientização pública por meio de campanhas educativas. Uma chance para revermos o desenvolvimento correto dos recursos hídricos, adotando medidas que possam resolver problemas que ocasionam a poluição e dificuldades de abastecimento de água potável, saneamento básico e o resguardo das fontes de água doce.

 

Medidas simples podem fazer uma grande diferença

De acordo com a ONU (Organização das Nações Unidas) é dever de cada ser humano assegurar e defender este grande patrimônio mundial, responsável por todo o equilíbrio do planeta. A exigência está fundamentada na composição do planeta Terra por possuir 70% de água em sua superfície. Outro fator de significância, que jamais poderá ser desprezado, é a própria constituição do corpo humano, visto que a água é essencial para o pleno funcionamento do seu organismo e melhoria da qualidade de vida.

Atualmente, a população já possui mais conhecimento em relação à educação ambiental e a sustentabilidade da água e contribui, na prática, com a adoção de atitudes simples no dia-a-dia. São medidas fáceis de serem implementadas no cotidiano, mas que fazem uma grande diferença, como, por exemplo, reduzir em um ou dois minutos o tempo de banho diário, o que proporciona uma economia de três a seis litros de água. O volume pode ser considerado pequeno, mas ao multiplicar a quantidade de litros de água pelo total de moradores dos condomínios existentes, somente na cidade do Rio de Janeiro, o resultado certamente será impactante.

Outra maneira de poupar água é a utilização de equipamentos com tecnologias desenvolvidas exatamente para moderar seu uso. A arquiteta Mônica Montalto dá algumas dicas que podem ser praticadas dentro dos condomínios, tanto nas áreas comuns quanto nas unidades. “Em muitos edifícios, os síndicos optam pela instalação de torneiras com sensor ou com arejador para dosar a quantidade de água a ser liberada. Em áreas comuns, como playground, sauna, banheiros do salão de festa ou vestiários, essas torneiras “inteligentes” promovem uma redução no volume desprezado e consequentemente, uma amortização no valor final da conta de fornecimento do serviço”, explica. Segundo a arquiteta, essa pequena mudança gera uma economia considerável, sem pesar nos custos condominiais, já que no mercado há uma grande variedade de torneiras a preços bastante acessíveis.

Outra ação também que vem sendo praticada em diversos condomínios é a individualização de marcadores de consumo de água. Mônica afirma que várias edificações optaram por particularizar o controle da água, instalando em cada unidade residencial o medidor de consumo ou hidrômetro. “É uma postura que faz com que cada um monitore o seu próprio gasto, sem desperdiçar água, já que vai pesar no bolso”, afirma. “E tem ainda uma vantagem: nenhum condômino se sente prejudicado por arcar com a despesa do vizinho que reside com uma família mais numerosa que a sua”, ressalta Mônica.

Além das torneiras, a arquiteta cita outros utensílios que fazem com que não haja esbanjamento de água, como chuveiros com capacidade para maior ou menor vazão de água e vasos sanitários com dois tipos de acionamentos de descarga, uma para urina, com menor capacidade de exclusão de água e outro para as fezes com maior liberação no volume de água. “Nos prédios com jardins, sempre recomendo a colocação de esguichos de água, programados para ligar e desligar automaticamente, dispensado a quantidade de água necessária no tempo correto de irrigação”, declara. E Mônica Montalto finaliza: “O recolhimento e reaproveitamento das águas pluviais para lavagem de carros, garagens ou áreas comuns, entre tantas formas de reuso, são técnicas que deveriam ser adotadas em todos os condomínios”.

Apesar das transformações e da eliminação de alguns hábitos “ruins” que provocavam a perda de grande quantidade de água, como lavar as calçadas com a mangueira aberta, em muitos edifícios os síndicos encontram resistência para a inclusão de novidades que ajudam a restringir o descontrole no consumo. O fato acontece em um condomínio residencial em Botafogo, Zona Sul da cidade do Rio, composto por 34 apartamentos, divididos em dois blocos, de quatro andares cada. A síndica, Giovanda Toscano, moradora há 48 anos no prédio, relata que todas as propostas apresentadas em assembleias não foram aprovadas. “Nosso prédio é muito antigo, tem cerca de 60 anos, não possui nenhum sistema de reaproveitamento de águas e sempre que sugerimos qualquer adaptação para tal, os moradores rejeitam, porque não querem desembolsar nenhuma quantia a mais do que o valor atual do condomínio”, diz.

Giovanda conta que enfrenta barreiras para modificar a mentalidade dos moradores, mas reforça sempre com os cinco funcionários a necessidade de preservar o uso da água. “Não ter play, salão de festa ou piscina é um facilitador para que os porteiros e a faxineira ajudem a conter o gasto de água”, alega. Ela garante ainda que, continuamente, nas reuniões, relembra os moradores para verificarem se há vazamentos em suas unidades e que tomem as devidas providências.

Há muitas críticas em relação à tarifa mínima cobrada pela concessionária

A síndica, que é advogada, explica que cogita a hipótese de entrar com uma solicitação na Cedae para o cálculo do consumo do volume de água proporcional ao número de pessoa por cada apartamento. “A ação é para tentar convencer os proprietários que é preciso modernizar e valorizar nosso patrimônio, com investimentos para dirimir gastos injustos”, justifica Giovanda Toscano.

Já o síndico Cleber Ferreira da Silva Filho, do Condomínio Ville Prime, no Andaraí, Zona Norte da cidade do Rio, informa que o consumo de água no prédio é considerado baixo. “No total gastamos 378 m³ de água por dia, mas a Cedae cobra uma tarifa mínima, nas categorias residencial e pública, referente a 555 m³ de água diários. Ou seja, pelos 36 apartamentos mais a área comum (piscina, sauna e outros ambientes de lazer), está sendo cobrado 15 m³ por cada uma das 37 unidades, mesmo que o imóvel esteja desocupado”, esclarece. E mais, diz Cleber: “para o comércio e a indústria são considerados 666 litros/dia, mesmo quando o consumo é zero. Portanto, não há estímulo para a economia de água”. Ainda de acordo com o síndico, o condomínio ingressou no Judiciário para receber os valores que não são consumidos, como especifica a Lei nº 8.234, de 2018.

Mesmo sem motivação, no condomínio há hidrômetros individuais e a conta da Cedae é rateada, conforme o consumo real de cada unidade. “Os dados do prestador que efetua a leitura dos hidrômetros são recolhidos, calcula-se o valor da água para cada apartamento e por meio de um relatório mensal individualizado controlamos os gastos. Quando há aumento de consumo de um mês para o outro, acima da média, comunicamos o proprietário”, detalha Cleber.

O síndico atesta que no Ville Prime existe o reaproveitamento da água, entretanto, “pouco usamos, somente para lavar os pisos das garagens, pois não faz diferença alguma na conta”. No entanto, não é permitido lavar carros, determinação que consta no Regimento Interno e os funcionários também não lavam a calçada.

Cleber Ferreira da Silva complementa: “todavia, por falta de estímulo econômico, mesmo que nosso consumo seja reduzido com medidas adicionais, pagamos sempre o valor mínimo estipulado pela Companhia. Na  minha opinião, esta política de tarifas da Cedae é absurda do ponto de vista da sustentabilidade e economia de recursos hídricos”.

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