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O impacto da pandemia na saúde financeira das pessoas

Por Revista Síndico
Última atualização: 02/03/2021
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O ano de 2020 foi atípico para todos nós. A pandemia do novo coronavírus provocou muitas perdas para toda a população. Além das inúmeras vidas perdidas, as pessoas tiveram que lidar com uma grave crise econômica que afetou o país inteiro, gerando desemprego, fechamento de empresas, endividamentos e muita insegurança sobre a economia do país.

Segundo informações do Banco Central, o pico de inadimplência da crise atual causada pela pandemia do coronavírus deve ocorrer no primeiro semestre de 2021, mas tende a ser menor do que o esperado quando a pandemia começou. 

Para Bruno Gama, especialista em finanças e CEO da empresa Credihome, apesar dos desafios e inseguranças em relação à economia, o setor como um todo está otimista para 2021. “O principal motor disso é a baixa da taxa de juros básica. Nós esperamos que a Selic possa flutuar sim, mas ela ainda vai se manter num patamar baixo, seja de 2,3% ou de 2,4%. Isso permite que todo o setor se beneficie, incluindo construtoras, imobiliárias e o cliente final”, opina Bruno. 

Bruno é um homem de meia idade, usa camisa social e atrás dele há um espaço verde com várias árvores.
Apesar dos desafios, Bruno Gama, especialista em finanças, acredita que o setor está otimista para 2021

Para a população em geral, as maiores perdas em relação à economia foram sentidas no orçamento familiar, que sofreu um impacto direto. A proporção de famílias com dívidas cresceu durante a pandemia, e o endividamento chegou ao recorde histórico no país, em julho, segundo pesquisa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).  

No entanto, a trajetória crescente do endividamento já era observada antes da crise, e as tendências têm sido bastante distintas entre os grupos de renda: as famílias de menor renda estão demandando mais crédito e o endividamento para esse grupo tem aumentado nos últimos meses. 

No contexto de maior endividamento, a inadimplência, por sua vez, também aumentou nos meses de pandemia, mas os indicadores da capacidade de pagamento indicam que os consumidores estão se esforçando para seguir em dia com seus compromissos, aproveitando que os juros baixos reduziram o custo do crédito.

Reinaldo é um homem de terno, com barba e cabelos brancos. Ele sorri e está em frente a uma parede colorida.
Reinaldo Domingos é autor do livro “Terapia Financeira” e orienta que as pessoas com dificuldades financeiras precisam ter em mente um “plano B” para enfrentar o cenário atual.

Reinaldo Domingos, presidente da Associação Brasileira de Educadores Financeiros (Abefin), autor do livro “Terapia Financeira” e de diversas coleções sobre educação financeira, afirma que as pessoas com dificuldades financeiras precisam ter em mente um “plano B” para enfrentar o cenário atual.Com certeza o horizonte não é dos mais positivos a curto prazo, com o fim do auxílio emergencial e a crise na saúde, por isso é preciso contar com uma reserva estratégica. Sem isso, muitas pessoas acabam entrando no sombrio mundo das dívidas ou simplesmente perdem seus bens materiais adquiridos ao longo da vida”. 

Para lidar com as dificuldades financeiras causadas pela pandemia é importante despertar uma consciência preventiva, com ações que possam manter as suas finanças e da sua família equilibradas. E para aqueles que foram surpreendidos por uma eventualidade e estão sentindo no bolso as consequências de não ter feito uma reserva financeira, há caminhos possíveis e planos para saldar as dívidas.

Colocar no papel as despesas previstas para 2021 é o primeiro passo para não perder o controle financeiro ao longo do ano. Para quem não tem o hábito de planejar o uso do dinheiro, o momento é agora: o início do ano é ótimo para mudanças comportamentais. 

Reinaldo dá algumas dicas para planejar o seu orçamento e evitar endividamentos:

  1. É válido o uso de planilhas para que as informações possam ser acessadas ao longo do ano com facilidade. Coloque no papel os compromissos dos próximos 12 meses, incluindo parcelas e possíveis acréscimos de juros;
  2. A redução de despesas também é uma forte aliada, assim como algumas mudanças no orçamento mensal. Faça um diagnóstico financeiro, ou seja, anote tudo o que gastou ao longo de um mês, separando as despesas por categorias (energia elétrica, água, alimentação, combustível, telefone etc.), para saber onde exatamente é possível diminuir ou até mesmo cortar. Acredite, todos nós temos, pelo menos, 20% de desperdício ou exagero nas contas;
  3. Converse com sua família sobre sonhos individuais e coletivos, como viagens, automóveis, aquisição de bens, entre outros. O ideal é que se guarde dinheiro para cada um simultaneamente e escolher o melhor investimento de acordo com o prazo de realização planejado.
  4. Depois que tirar o valor destinado aos sonhos, com o que sobrar, adeque o seu padrão de vida.

O que acontece nos condomínios…

E se mesmo com a adoção de todas essas medidas continuar faltando dinheiro no fim do mês, você corre o risco de se tornar inadimplente. Neste caso será necessário fazer uma verdadeira faxina financeira, buscando a causa do problema. Um exemplo muito comum de inadimplência está na falta de pagamento de cotas condominiais por parte dos moradores de condomínios. Ultimamente os síndicos têm recebido dos condôminos pedidos de negociação e até de suspensão da cota nesse momento de crise.

A saúde financeira dos condomínios também precisa de atenção, ainda mais em um cenário de inadimplência dos condôminos. A suspensão do pagamento da cota não é possível, pois a receita serve ao pagamento de despesas ordinárias e uma série de outras despesas que o condomínio não pode simplesmente deixar de pagar, sob pena de colocar em risco a saúde e a segurança dos próprios moradores.

Mário é um homem que veste camisa social, está de braços cruzados, meio sorriso e à frente de um fundo cinza neutro.
O consultor de investimentos Mário Mello indica que sejam colocadas na balança quais despesas são essenciais, as que podem ser cortadas ou negociadas neste momento dentro dos condomínios

Na opinião de Mário Mello, assessor e consultor de investimentos, é preciso colocar na balança quais despesas são essenciais, quais podem ser cortadas ou negociadas para o momento. “No caso dos condomínios, caso não haja uma parcela de provisionamento para inadimplentes, o cenário pode ficar complicado. Sugiro reavaliar as despesas recorrentes e buscar alternativas inteligentes de redução de custos, possibilitando o uso do montante economizado para o pagamento de dívidas, por exemplo”. 

Lembre-se que algumas decisões em condomínio devem ser feitas em conjunto e aprovadas em Assembleia. Caso contrário, o síndico poderá adotar medidas mais radicais, como protestar os condôminos inadimplentes.

Para evitar problemas com endividamento e inadimplência é preciso se planejar. Pessoas planejadas passam melhor por imprevistos, pois possuem uma melhor visão do futuro, além de ser muito mais fácil readequar um caminho do que construir do zero. Reeduque-se financeiramente e comece um ano novo livre de dívidas!

Por: Juliana Marques

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