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“Estamos em uma era de transformação de verdade”

Por Revista Síndico
Última atualização: 25/11/2021

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Ela encurta distâncias geográficas, aumenta o desenvolvimento de soluções, otimiza processos, potencializa a educação a distância, proporciona oportunidades em diversos setores. Apesar disso tudo, pensar e promover transformação digital no dia a dia não é uma tarefa trivial. Especialmente em nichos estáticos e mais conservadores, como o condominial. Por outro lado, não tem como fugir dela. Cedo ou tarde, unidades residenciais, comerciais e mistas terão de adaptar estruturas, funcionários e gestores para a mudança. 

Para entender como fazer na prática a transição para o cenário 5.0, entrevistamos Rodrigo Pimentel do Lago, formado em Ciência da Computação pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e Especialista em Tecnologia da WayCondo, empresa especializada em soluções integradas para condomínios. 

Na conversa, Rodrigo explica como os síndicos podem superar velhos hábitos e se abrir para o ambiente de inovação cada vez mais próximo, além de dar dicas valiosas para reduzir resistências de condôminos e preparar colaboradores. Vale a leitura!

 

Quais os maiores obstáculos que as pessoas terão de enfrentar para, de fato, se adaptarem ao digital? 

Rodrigo Pimentel do Lago: Os obstáculos culturais são os mais relevantes. Muitas pessoas, por não serem familiarizadas com temas de tecnologia e inovação, acabam criando resistência aos processos de transformação sem, antes, buscar adquirir conhecimentos e desenvolver habilidades para lidar com eles. Isso é natural, mas é um obstáculo que não deve ser desconsiderado. Outro ponto importante é a segurança. Ainda existem hoje fragilidades em relação à segurança dos dados pessoais, à forma de uso dessas informações e à ocorrência de golpes, o que dificulta muita gente migrar totalmente para o digital. 

 

Em um condomínio, o que a transformação digital pode trazer de vantagens e benefícios?

Rodrigo Pimentel do Lago: Nos últimos dois anos, em função da pandemia do Novo Coronavírus, o mundo reaprendeu a viver mais em casa. Muita gente passou a trabalhar em home office e a estudar a distância. As pessoas passaram a viver mais a vida em condomínio. E, por conta disso, uma série de soluções de transformação digital já começou a ser incorporada. É uma era de transformação de verdade. Vejam os mercadinhos internos, o acesso controlado a áreas comuns para evitar aglomeração e o próprio controle de entrada no condomínio, que se tornou mais eficiente e seguro. Praticamente tudo poderá ser transformado pela tecnologia. 

 

Por sua experiência com o universo condominial, em que estágio de uso de tecnologias os síndicos e unidades estão hoje?

Rodrigo Pimentel do Lago: Infelizmente, até o momento, a maior parte dos condomínios ainda usa a tecnologia de forma tímida, restrita principalmente a câmeras de segurança e interfones. Embora alguns gestores se achem bem posicionados tecnologicamente por conta desses equipamentos, isso é pouco perto de todas as possibilidades que já existem. É preciso se atualizar, buscar soluções de comunicação e tecnologias que facilitem o convívio entre os condôminos. 

 

Os projetos de incorporação de tecnologia e inovação podem ser bem complexos, especialmente para alguns nichos. Como podemos simplificar o processo em ambientes mais estáticos como os condomínios, por exemplo?

Rodrigo Pimentel do Lago: Embora mais estático, o condomínio tem uma série de características que facilitam a implantação de projetos de tecnologia. Em primeiro lugar, ele é um ambiente controlado, no qual não há muita mudança, o que torna o planejamento e a execução de um projeto algo mais simples de ser feito. Além disso, ele é composto por moradores e uma administração, ou seja, tem poucas esferas decisórias, o que também facilita. Em terceiro lugar, as novas tecnologias condominiais prezam sempre a segurança, o controle e a redução de despesas, aspectos com um apelo enorme, o que acaba diminuindo a possibilidade de resistências.  

 

Por onde começar? Em se tratando especialmente do ambiente condominial, por onde síndicos e gestores podem iniciar o processo para tornarem seus condomínios inteligentes?

Rodrigo Pimentel do Lago: O primeiro passo é o controle de acesso. É o mais simples e o mais importante. Tem de controlar quem entra, quando entra, quando sai. Esses sistemas já são os mais buscados pelas unidades no mercado hoje. 

 

Que principais “velhos hábitos” poderiam dificultar o condomínio a aderir em grande escala às soluções de tecnologia e inovação?

Rodrigo Pimentel do Lago: Tem dois aspectos principais. Primeiro é o apego ao pessoal. Muitos condomínios se prendem às pessoas. Não cogitam implantar um controle de acesso inteligente, por exemplo, porque entendem que seus porteiros conhecem todos e conseguem identificar os visitantes. Esquecem, no entanto, de pensar no futuro. E quando o porteiro tirar férias e for substituído por alguém que não seja tão familiarizado com o entorno? Como será?

O segundo velho hábito que acaba deixando o condomínio no passado é o aspecto financeiro. Muitas unidades não têm o costume de poupar visando à modernização da unidade. Como não têm caixa, precisam propor cotas extras para levar a cabo os projetos de tecnologia, o que acaba causando resistência em parte dos condôminos.  

 

Como reduzir as resistências pessoais à inovação e tecnologia, em especial de empregados e moradores?

Rodrigo Pimentel do Lago: Uma forma de reduzir a resistência é a degustação, o teste. Uma ideia é convidar um grupo de condôminos para conhecer outro condomínio que possua determinada solução implantada. Pode-se ainda realizar algum projeto piloto no próprio condomínio para que os moradores conheçam os benefícios que a inovação trará para a coletividade.

 

Muito se fala sobre o processo gradual de substituição de profissões que a transformação digital trará. O receio é de que gere demissões em massa, especialmente de perfis profissionais que têm tarefas mais manuais. Como o senhor avalia essa questão em relação ao condomínio?

Rodrigo Pimentel do Lago: É inevitável que a transformação digital provoque demissões. Não temos como mudar essa realidade, mas precisamos entender como isso ocorrerá. A tecnologia vai permitir substituir mão-de-obra ociosa, reduzindo despesas e tornando o orçamento do prédio mais eficiente. Mas a despesa que será economizada aqui será realocada, por exemplo, em empresas terceirizadas de tecnologia que precisarão contratar mais profissionais. Nada impedirá, por exemplo, que um porteiro passe a operar numa central inteligente avançada que monitore a portaria virtual de vários condomínios. A demanda de gente cai numa área e cresce em outra. 

 

Para o trabalhador do condomínio, como se preparar para as transformações?

Rodrigo Pimentel do Lago: Tem de estudar, não adianta. Buscar conhecimento, reciclagens. Isso vai aumentar o leque de possibilidades de se integrar a outros cargos, ainda em áreas relacionadas a condomínios. Porteiros, auxiliares de serviços gerais, equipes de limpeza, todos os perfis profissionais de condomínio — e o síndico, inclusive — têm de procurar cursos de profissionalização, para entender os caminhos que o mercado está tomando, as soluções que estão sendo pensadas e como se adaptar a esse processo de transformação.

 

Que habilidades, em sua opinião, esse novo cenário de convivência eivada por tecnologia poderá demandar dos síndicos e gestores?

Rodrigo Pimentel do Lago: O primeiro passo é se profissionalizar. Não é que síndicos e gestores tenham de fazer do cargo uma profissão própria, mas precisam fazer cursos, participar de workshops, assistir a lives, enfim, usar o conhecimento disponível para se atualizar sobre as soluções necessárias.

 

Eles terão de entender, primordialmente, sobre soluções em nuvem, por exemplo. Hoje, você consegue armazenar uma quantidade muito maior de dados de câmeras de segurança a preços mais baixos do que os pagos por condomínios que mantém as imagens em discos no prédio. Terão de aprender também sobre tecnologias de controle de acesso e eficiência energética. E, por fim, precisam entender a importância das manutenções preventivas e preditivas possibilitadas pela transformação digital. 

 

Por: Aline Durães

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