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O que os novos consumidores querem, afinal de contas?

Por Revista Síndico
Última atualização: 21/06/2021

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Conversamos com a psicoterapeuta Andréa Ladislau, que traçou um perfil dos novos hábitos de consumo no mundo.

 

A vida nunca mais será a mesma depois da crise sanitária iniciada em 2020. Comportamentos, hábitos e o consumo serão totalmente transformados. E o que será que continua e o que vai mudar? Higiene, compras pela internet, ensino à distância… O que esperar dos novos padrões de comportamento dos consumidores daqui por diante? 

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“As pessoas estão comprando muito mais on-line, seja alimentos, bebidas, mercado ou roupas”, comenda Andréa Ladislau

Conversamos com a psicanalista e doutora em Psicanálise, membro da Academia Fluminense de Letras, pós-graduada em Psicopedagogia e Inclusão Social, Andréa Ladislau, para traçar um perfil desses novos hábitos de comportamento. Confira!

 

A pandemia trouxe muitas mudanças sociais: o advento da tecnologia, o ensino à distância, o home office… E, de fato, ela também trouxe mudanças nos hábitos de consumo?

AL: Certamente. Eu tenho observado muitas mudanças, até mesmo por conta da minha experiência psicoterapêutica. Por exemplo, eu tive que aderir à telemedicina, indo para o atendimento on-line. Tem pacientes que se adaptaram e outros que não. Mas além desse exemplo, muita coisa mudou. As pessoas tiveram que descobrir uma vida em casa de uma hora para outra. Fomos obrigados a ficar reclusos e as adaptações foram necessárias. 

O consumo de redes sociais e de entretenimento on-line aumentou muito, por exemplo. O advento tecnológico também ajudou na aproximação entre as pessoas. Eu vi também que muitos idosos estão adquirindo habilidades no mundo virtual. Tudo isso impacta diretamente os hábitos de consumo. As pessoas estão comprando muito mais on-line, seja alimentos, bebidas, mercado ou roupas. 

Vi uma pesquisa recente que mostrava que as lojas virtuais tiveram um crescimento de 60% na pandemia, fora as lojas virtuais que surgiram. 

 

Esse salto na digitalização das compras vai continuar no pós-pandemia?

AL: Há uma forte tendência de aceleração, acredito que essa nova tendência de consumo veio sim para ficar. Eu até escrevi um artigo há um tempo falando sobre isso. Porque de certa forma, criou-se uma comodidade para as pessoas. Eu não preciso, por exemplo, ir ao mercado fazer uma compra. Eu tenho o mercado no meu celular. Eu escolho os meus itens e eles chegam. Eu tenho feito compras de mercado para a minha mãe em Niterói e eles entregam lá em Belo Horizonte, onde ela mora. 

Antes isso já existia? Sim. Só que nós ainda não tínhamos esse hábito. A pandemia fez essa mudança de hábito. Alimentos, pequenos itens, roupas, farmácia e a venda de pequenos itens on-line. Com certeza essa é uma tendência que veio para ficar. Quando a gente pensou, há cinco ou seis anos, que isso seria possível? E cada vez mais vem se aperfeiçoando. É fantástico e vai trazer um crescimento muito maior desse tipo de serviço e talvez até outros produtos possam entrar nesse processo para facilitar a vida das pessoas.

 

O distanciamento social fez também com que a gente descobrisse a nossa casa. Isso também implica em mudanças de consumo? As pessoas vão gastar mais com a casa?

AL: Sim, é a descoberta da vida em casa. Existe uma expectativa de que passando mais tempo em casa, eu vou prestar mais atenção nos detalhes do meu ambiente e isso vai fazer com que eu comece a consumir mais produtos que, quando eu estava na rua trabalhando, nem tinha tempo de pensar. O próprio home office, essa nova modalidade de trabalho. Muita gente teve que adaptar um canto para fazer o home office, teve que comprar cadeira, equipamentos melhores, teve que melhorar a luz dos ambientes… Até o fato de estar mais tempo em casa traz a atenção para a decoração também. 

Portanto, acho que esse consumo também está sendo facilitado pelo fato de estarmos em casa, para melhorar o ambiente em que se vive. Antes, a gente passava muito tempo na rua e não tinha tempo de ter essas percepções.

 

Hábitos de higiene mais intensos também se tornaram parte do nosso dia a dia. Será que depois da pandemia vamos manter esses hábitos e, consequentemente, o consumo?

AL: Sim. Uma pesquisa da USP que saiu agora em janeiro de 2021 salientou que 70% do consumo, hoje, também está voltado para os produtos de higiene e limpeza. Álcool gel, desinfetantes, álcool 70%, o consumo de tudo isso aumentou bastante. 

E eu espero, de verdade, que essa prática continue, porque ela é tão importante não só pela contenção da covid-19, mas também para outros tipos de vírus e situações. A gente percebe que esse aumento é significativo.

 

A preocupação com questões ambientais também entrou no radar das pessoas, principalmente por conta do aumento da geração de resíduos. Será que o pós-pandemia também vai trazer essas questões para o dia a dia do consumidor? 

AL: Eu tenho visto e até por relatos de conversas com pacientes, que teve uma mudança, sim, mas essa mudança ainda não é tão consciente. Não é todo mundo que está preocupado em separar o lixo ou na destinação dele. Acho que ainda falta um pouco. Pode sim ter se intensificado na pandemia, mas acredito que somente para as pessoas que já tinham essa consciência, que já tinham esse cuidado. 

Por outro lado, o aumento do consumo de delivery aumenta muito a produção de lixo por conta das embalagens. E aí, depois que você consome, a sua produção de lixo aumenta muito. É importante nós começarmos desde agora a pensar em formas de controlar melhor esse lixo, pensando na natureza, porque é quem vai receber todo esse material depois.

 

E que outros hábitos você acha que será tendência de consumo no pós-pandemia?

AL: Práticas de exercícios on-line, por exemplo. Eu tenho muitos pacientes fazendo e recomendo. É um serviço muito importante que ajuda a melhorar a imunidade e a distribuir e melhorar os hormônios do prazer, diminuindo a depressão e aumentando a auto-estima.

Acho que os atendimentos psicoterápicos on-line também vão continuar acontecendo, é uma tendência. O home office é outra modalidade que também veio para ficar e que vai implicar hábitos de consumo para a sua manutenção. Muitas empresas tornaram essa modalidade efetiva.

As compras on-line também ficarão e acredito que outros produtos devem entrar nesse hall. O streaming também se tornou uma revolução na vida das pessoas. O cinema em casa e as lives viraram um atrativo enorme, acho que isso também é uma tendência definitiva.

 

Por: Mario Camelo

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