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De olho no futuro

Por Cidades e Serviços
Última atualização: 03/11/2021

Finances Saveing Economy concept. Female accountant or banker use calculator.
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Com a chegada do fim do ano, os síndicos precisam planejar o orçamento do condomínio para 2022. Saiba como organizar as finanças de forma segura.

Dois mil e vinte e dois ainda não chegou, mas já é hora de se organizar e planejar as finanças do condomínio para o próximo ano. Em tempos de inflação em alta e incertezas econômicas, o tema se torna ainda mais urgente. É função do síndico tomar frente deste trabalho para evitar transtornos aos moradores, como as temidas cotas extras condominiais. 

A gerente de condomínios Ana Duarte explica que o planejamento financeiro de um condomínio é algo de fundamental importância. “É por meio dele que a administração evidencia antecipadamente aos proprietários e investidores os valores propostos para o ano seguinte, que serão utilizados em melhorias, com o propósito de manter o condomínio moderno e atrativo. O planejamento serve, também, para projetar os valores da cota condominial para o ano seguinte”, destaca Ana, que é pós-graduada em controladoria e finanças.

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Segundo Ana Duarte, as maiores dificuldades atualmente para se fazer esse orçamento são a instabilidade monetária e a inflação do país: “isso dificulta o planejamento dos índices de reajuste contratuais e salariais, muitas vezes com antecedência de mais de 12 meses”

Segundo ela, as maiores dificuldades atualmente para se fazer esse orçamento são a instabilidade monetária e a inflação do país, que dificultam o planejamento dos índices de reajuste contratuais e salariais, muitas vezes com antecedência de mais de 12 meses. 

“Além disso, o alto índice de inadimplência é um dos grandes desafios dos síndicos e administradores. Pois, o planejamento é montado com uma variação de mais ou menos cinco por cento, e se houver uma inadimplência maior que isso será necessário recorrer a rateios extras ou ao uso de fundos existentes. A forma mais utilizada para prevenir possíveis inadimplências é buscar negociar os contratos, para que se tenha o menor índice de reajuste possível, evitando assim aumentos que possam dificultar o pagamento das taxas condominiais”, explica. 

A educadora financeira Veridiana Lopes ressalta que é preciso que sejam listados todos os custos e investimentos que são feitos periodicamente. “Assim, o condomínio consegue se preparar para os gastos do ano inteiro. O ideal é fazer a projeção do ano com todos os custos, investimentos e reformas necessárias. Com o resultado final, é possível dividir mensalmente para que o condomínio consiga se preparar sem surpresas para os moradores. Nos meses em que os gastos forem menores, será possível fazer caixa”.

 

A importância do histórico financeiro

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Alexandre Machado destaca que a realização da previsão orçamentária é uma competência do síndico prevista no artigo 1.348, do Código Civil

Especialista em gestão de condomínios, Alexandre Machado ressalta que a realização da previsão orçamentária é uma competência do síndico prevista no artigo 1.348 do Código Civil em seu inciso VI. “O primeiro passo para a elaboração de uma previsão orçamentária é conhecer o histórico do condomínio. Não o conhecendo, todo e qualquer planejamento fugirá da realidade. A inadimplência, por exemplo, precisa ser considerada. Caso não seja, afetará a saúde do condomínio, pois é uma receita que estava prevista quando foi feita a emissão das cobranças e que efetivamente não foi realizada. Sendo assim, é importante conhecer a inadimplência histórica e considerar o percentual de inadimplência em previsão orçamentária. Ou seja, após ter a previsibilidade de gastos, é importante saber a previsibilidade de receitas e acrescentar um percentual que será a inadimplência. Assim, de uma maneira saudável o condomínio conseguirá arcar com suas obrigações”, explica Alexandre, que é vice head e product owner na Group Software, empresa especializada no desenvolvimento de soluções tecnológicas em gestão de condomínios, shoppings e imobiliárias.

Com relação às incertezas econômicas, não existe forma de se planejar e ficar totalmente imune. No entanto, o especialista diz que é possível remediar: “É saudável deixar uma margem – a famosa gordura – para as contas, numa ordem de 3 % a 5%. Assim, qualquer eventual despesa que tenha um pico inflacionário poderá ser suprida. Caso mesmo assim a previsão orçamentária não consiga cumprir o orçamento, é importante que o síndico comunique claramente ao conselho e aos demais condôminos, realizando assembleia extraordinária para ajustar a previsão orçamentária”. 

 

Me endividei, e agora?

Assim como o condomínio, os condôminos também precisam estar de olho no cenário econômico e se planejar para evitar a perda do controle de suas vidas financeiras. A mentora em finanças Silvia Machado diz que atualmente a maior parte das famílias brasileiras está endividada. 

“Já são mais de 67% de famílias com dívidas. É uma situação que está difícil para todo mundo. O principal conselho que eu dou é respirar, sentar e tentar resolver com calma. Quando as pessoas vão muito ansiosas em tentar resolver, tomam decisões erradas e eu tenho visto muita gente fazer empréstimo para quitar a dívida. Só aumenta ou adia o problema, porque os empréstimos provavelmente têm juros mais altos e compromete ainda mais a situação. Não se atropele. Pare e veja o que dá para resolver no curto prazo. Planeje uma forma de resolver a longo prazo e, talvez, essa forma seja realmente dar um passo atrás. Organize o orçamento. Veja o que não está cabendo, mude por um ou dois anos. Depois retorne ao que era antes”, orienta a profissional. 

Ela diz que um dos erros mais comuns que as pessoas fazem é achar que a situação vai se resolver sozinha. “Se ela não mudar o comportamento e não alterar algumas coisas no seu orçamento financeiro, a coisa não se resolve. Pelo contrário, só piora. Se você tem uma dívida, tem que negociar. Deixar de guardar dinheiro, mesmo que um pouco, também é um erro. Com dinheiro na mão, você tem um valor para poder negociar. Não dá para fazer isso se não tem nada a oferecer. O terceiro erro é insistir em algumas situações que podem causar problemas até maiores que a dívida. Se não consegue pagar a parcela do carro, vale a pena tentar vender para um novo comprador assumir a dívida ou quitá-la. Antes que perca o carro e todo o dinheiro que já pagou”. 

 

Indícios de como será a economia no próximo ano

Apesar do momento de instabilidade, especialistas já apontam algumas tendências sobre como será o cenário econômico no ano de 2022. Os síndicos precisam estar por dentro do assunto para conseguir lidar melhor com altos e baixos. 

O economista e professor universitário da Faculdade do Grupo Etapa (Eseg), Robson Rodrigues Pereira, explica que o ano de 2022 tende a ser desafiador do ponto de vista macroeconômico. “O crescimento do PIB deverá desacelerar, ou seja, vamos crescer, mas a um ritmo menor do que o previsto para este ano, que é algo em torno de 5%. Essa desaceleração deve ser influenciada pelos seguintes fatores: base de comparação mais elevada em 2021; elevação dos juros, como reflexo do combate à inflação; volatilidade que normalmente ocorre em anos de transição política; redução do ritmo de estímulos monetários nos EUA, o que pode gerar aumento da volatilidade nos mercados financeiros globais e depreciação das moedas de países emergentes; e desaceleração prevista da economia chinesa, com impactos sobre os preços de commodities que exportamos”, explica.

Ele acrescenta que tudo isso deverá levar o crescimento do PIB em 2022 para algo mais próximo a 1,5%, com algum viés de baixa. “Também nos preocupa bastante o tema da falta de insumos em vários segmentos. Trata-se de um problema global, como no caso de chips e semicondutores, mas que tende a gerar impactos sobre o crescimento da economia. Contudo, é importante lembrarmos que também haverá oportunidades, principalmente por conta de avanços na imunização da população, que afetará positivamente principalmente para o setor de serviços”. 

O economista frisa que, além de energia elétrica e gasolina, existem outros itens em que é preciso estar atento com relação à alta de preços: “A primeira é a área de bens relacionados à taxa de câmbio, principalmente bens industriais. Se de fato tivermos uma volatilidade mais elevada em 2022, por exemplo, por conta da economia global ou incertezas sobre a política fiscal no Brasil, os preços desses bens tendem a aumentar. Aqui, estamos falando de uma gama de segmentos, como eletroeletrônicos, derivados de químicos e outros. A segunda categoria, claro, é a de alimentos. Em princípio, deveremos ter a dissipação dos problemas climáticos observados neste ano, o que deve gerar aumento da produção agrícola à frente e queda de preços. Contudo, eventos climáticos, que são imprevisíveis por definição, podem mudar essa tendência. De modo geral, acreditamos que o Banco Central fará o seu papel de garantir a estabilidade da moeda, ainda que precise aumentar ainda mais os juros, como previsto. Dessa forma, esperamos desaceleração da inflação como um todo em 2022”, comenta. 

 

Dicas para elaborar o planejamento orçamentário do condomínio

  •  É preciso que sejam listados todos os custos e investimentos que são feitos periodicamente, além de reformas necessárias;
  •  É essencial conhecer o histórico financeiro do condomínio. Não o conhecendo, todo e qualquer planejamento fugirá da realidade;
  •  Após ter a previsibilidade de gastos, é importante saber a previsibilidade de receitas e acrescentar um percentual que será a inadimplência;
  •  É saudável deixar uma margem, a famosa gordura, para as contas, numa ordem de 3 % a 5%. Assim, qualquer eventual despesa que tenha um pico inflacionário poderá ser suprida;
  •  E, caso a previsão orçamentária não consiga cumprir o orçamento, é importante que o síndico comunique claramente ao conselho e aos demais condôminos, realizando assembleia extraordinária para ajustar a previsão orçamentária. 

Por: Gabriel Menezes

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