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Pequenas reformas, grandes melhorias

Por Revista Síndico
Última atualização: 20/11/2021
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11. Projeto Dantas & Passos_Foto Luis Gomes (1)
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Cuidar da estética do condomínio é importante e ajuda a valorizar o imóvel. Confira dicas de como otimizar pequenas reformas estéticas para grandes efeitos.

Quando pensamos em reformas para condomínios, imediatamente vem à cabeça aquele quebra-quebra, cota extra, barulho… O ônus que uma obra pode trazer é grande, seja na convivência entre os moradores ou financeiramente. No entanto, as melhorias são sempre necessárias não somente pela manutenção ou estética, mas também por valorizarem o preço das unidades, o que acaba se tornando um ganho de patrimônio para todos. 

Nem sempre as obras ou melhorias precisam trazer transtornos ou causar grandes prejuízos. É possível fazer pequenas reformas, especialmente estéticas, gastando menos. 

Síndico há três anos do Condomínio do Edifício Marília, de 65 unidades, localizado na Barra Funda, em São Paulo, Vagno Fernandes tem propriedade para corroborar com essa afirmação. Além de síndico, ele também é arquiteto, e mesmo antes de assumir a gestão do condomínio, quando ainda era parte do Conselho, Vagno já pensava e planejava melhorias, especialmente estéticas, para o edifício, que começaram a tomar forma na sua gestão.

“O Edifício Marília é um prédio antigo, modernista, existia um paisagismo muito bonito aqui anteriormente, mas tivemos um problema com a impermeabilização da laje e ele foi arrancado. Eu mudei para cá nessa fase, e quando entrei no Conselho, quis resolver de alguma forma”, relata ele.

Vagno conta que, na época, já se prontificou a melhorar as áreas comuns e para não gastar muito, ele criou um planejamento a longo prazo com tudo o que o prédio precisava melhorar. Ao longo de sete anos, ele foi, aos poucos, fazendo as mudanças e melhorias, de olho na valorização do patrimônio.

“A primeira parte que atacamos foi a iluminação: havia déficit e lâmpadas inadequadas. Eu acredito que um projeto é 80% iluminação. Então, o primeiro passo foi aí. No novo projeto, descentralizamos os spots centrais com lâmpada fria. Fui gerando pontos de destaque, contemplando algo que tivesse uma sequência. E também substituímos a iluminação por lâmpadas de LED. Na época fiz um estudo de custo-benefício para que os condôminos não pensassem que ia aumentar a energia, porque esses movimentos podem gerar desconfiança entre os moradores”, opina.

Depois disso, Vagno começou uma nova ambientação do hall. “Atualizamos o hall, a entrada, transformei um pequeno espaço num salão de festas… E, na cobertura, agora temos um mirante que é uma coisa incrível, tem uma visão da cidade inteira”, conta ele.

Por ser arquiteto, Vagno fez ambos os projetos gratuitamente para o condomínio e, para evitar prejuízos, recomenda que o síndico que quiser fazer melhorias no seu espaço, convoque uma assembleia para aprovar tudo previamente e que dê preferência a elementos de sobreposição na hora de decorar. O planejamento também é fundamental para evitar gastos desnecessários ou excessivos.

“Por exemplo: se o arquiteto não pode colocar papel de parede num espaço, ele pode instalar um quadro grande. O profissional vai ter que trabalhar muito com 3D e vai ser preciso um projeto para mostrar à assembleia. A verdade é que os condomínios novos já surgem com hall de entrada, área gourmet… E os condomínios antigos, vão tendo uma perda no valor do imóvel se não se atualizarem. Por isso, não devemos descuidar da estética”, afirma.

Já a arquiteta Silmara Lanatovitz afirma que existem alguns pontos a serem considerados para melhorar a estética do condomínio de forma rápida: revestimentos, obras mais simples e tintura.

“Materiais mais ou menos porosos, tapetes e capachos com sanitizante, bancadas que podem receber os produtos do supermercado para serem higienizadas e até luzes ultravioleta e ozônio são tendência e mudam a estética do condomínio. A colocação de tampo de vidro ou pedras em marcenarias, redução de tapetes felpudos, utilização de tapetes sintéticos, tecidos de fácil higienização, redução de muitos itens de decoração para que a limpeza seja mais prática e constante, são outras dicas”, relata.

Silmara diz ainda que a composição dos materiais do hall deve ser fixa, uma vez que irá ficar em uma área que tem um fluxo intenso de pessoas. “O mobiliário deve ter boa resistência e também bons acabamentos. O tipo da madeira, os tecidos e as lâminas devem ser escolhidos com bastante atenção. Materiais de madeira, granito, vidros comuns e coloridos são recomendados”, completa.

 

Dicas de materiais baratos

As arquitetas Paula Passos e Danielle Dantas, do escritório Dantas & Passos Arquitetura, dão uma dica valiosa: pesquisar empresas de móveis e marcenaria que trabalham com hotelaria e/ou restaurantes, na área corporativa, pode ajudar bastante. “Essas empresas costumam conseguir pacotes com melhores custos para CNPJs de condomínios como pessoas jurídicas, não são todos os fornecedores, mas existem empresas nesse formato”, indicam. 

hall de prédio
Área comum, projeto Dantas & Passos Arquitetura

Elas ainda recomendam três dicas que podem ser de grande valia para provocar aquele efeito de reforma e mudança estética nas áreas comuns e que não costumam ser muito caras. A primeira delas são os adesivos de parede.

Eles podem deixar o ambiente com outra cara, vai dar uma super renovada, é uma solução rápida e com bom custo x benefício para áreas como brinquedotecas e salões de jogos, por exemplo. Os papéis de parede também podem renovar completamente o visual de um salão de festas, ou do hall nobre, sem quebra-quebra, de forma rápida e eficiente. Em áreas comuns é sempre melhor usar papel de parede com acabamento vinílico que é mais resistente”, diz Paula.

A segunda dica são os espelhos, que, segundo as profissionais, são sempre bem-vindos. “Na hora de renovar um ambiente, podem trazer sofisticação e amplitude, fica bem, por exemplo, no hall nobre de entrada do edifício, e não apresentam custo elevado. Mas é melhor evitar espelhos em áreas que fiquem ao alcance de crianças, em áreas comuns residenciais como brinquedotecas ou salões de jogos, para que não ocorram acidentes”, explica Danielle.

A terceira dica é o retrofit de móveis pré-existentes. “Renovar o tecido de um sofá, trocar esse sofá de lugar, laquear peças como aparadores com novas cores”, exemplifica Danielle.

Ela também cita como uma boa opção para provocar mudanças estéticas rápidas a troca de tapetes: “Tapetes desgastam mais com o uso e vão ficando com cara de velhos e usados. Por ser um item solto de decoração, sua troca é fácil, rápida e sem sujeira. um tapete com cores, por exemplo, pode mudar completamente a cara do ambiente. Uma observação importante: se tiver muitos idosos no condomínio, é preciso observar bem o uso de tapetes para que eles não corram risco de quedas. Mas os tapetes sempre podem trazer um charme a mais, um toque de cor, uma estampa ou uma textura diferenciada que pode fazer a diferença no resultado final”, diz.

Para as arquitetas, os síndicos devem optar por materiais resistentes em áreas comuns, como quartzos e porcelanatos, que têm um menor índice de absorção, mancham menos e também riscam menos. “Porém, na hora de comprar esse tipo de material deve-se pedir a tabela técnica de informações de cada um deles e verificar seu grau de resistência. Indicamos o uso de pisos com PEI 5 (Altíssimo), pois esse tipo de piso é ideal para áreas comuns com maior circulação de pessoas, carrinhos, etc”, diz Paula.

Para evitar erros, as arquitetas recomendam ainda que o síndico pesquise a procedência e compare as avaliações de todo o material que for comprado para uma reforma.

“Isso é muito importante, porque a manutenção pode variar de material para material. Os materiais sintéticos tendem a ser mais resistentes e a dar menor manutenção na rotina do condomínio. As esquadrias mais indicadas são as de alumínio do que as de madeira natural. Para os pisos, é melhor usar pedras ou porcelanatos do que madeira natural. E os móveis de área externa precisam ser em cordas náuticas e alumínio, pois são peças fáceis de manter no dia a dia. Além disso, é bom evitar materiais porosos que tenham alto índice de absorção porque sujam e mancham mais. O síndico deve procurar materiais de superfícies lisas que são mais fáceis de limpar e manter sem ranhuras”, conclui Danielle.

 

Como otimizar a decoração com as plantas

E nem sempre as pequenas reformas estéticas devem se restringir à decoração ou à estrutura em si. Muitas vezes, otimizar os jardins e plantas já podem trazer grandes resultados visuais.

plantas
Frederico Cançado é engenheiro agrônomo e paisagista e dá algumas dicas em relação às áreas verdes: “condomínios verticais com muitos prédios próximos tendem a ter área mais sombreada e, portanto, as plantas precisam tolerar esse ambiente”

“Plantas tropicais mais próprias ao nosso clima tendem a economizar em manutenção e demandam menos investimento após implantação. Cada projeto tem suas particularidades como, por exemplo, a incidência solar. Portanto, as plantas a serem utilizadas precisam ser adequadas a cada ambiente. Condomínios verticais com muitos prédios próximos tendem a ter área mais sombreada e, portanto, as plantas precisam tolerar esse ambiente”, diz o engenheiro agrônomo e paisagista Frederico Cançado.

Para isso, o profissional dá algumas dicas de plantas mais adequadas para as áreas comuns:

“Folhagens mais tropicais, como: costela de adão (monstera); filodendruns como cipó imbé, alocasias, etc. Estas são muito procuradas inclusive pela facilidade de manutenção. Jardins mais verdes com diferentes folhagens, texturas e menos floridos estão em alta”, conclui.

 

Por: Mario Camelo

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