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Atenção na caixa d’água!

Por Revista Síndico
Última atualização: 02/08/2021

caixadagua
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A pandemia do coronavírus levantou um alerta de saúde para muitas pessoas, que passaram a se preocupar com temas que antigamente sequer prestavam atenção. Mas, existe uma questão que às vezes continua passando batida e, principalmente numa época em que parte da população está mais em casa do que nunca, pode se tornar um grande risco: a qualidade da água. 

Seja por questões financeiras ou por simples negligência – já que não fica a olhos vistos -, a conservação da caixa d’água nem sempre é uma prioridade nos condomínios. E, muitas vezes, a aparência engana. O fato de a água sair cristalina da torneira não quer dizer necessariamente que está tudo bem. 

De acordo com o clínico-geral Roberto Debski, um dos riscos para a saúde numa caixa d’água em mau estado de conservação é o de que animais, como pombos e ratos, consigam acessar o reservatório, onde podem urinar, defecar e até mesmo morrer. Além disso, o local pode se transformar num foco de proliferação do mosquito Aedes Aegypti, que transmite doenças como dengue, Chikungunya e Zika. 

homem com blaiser cinza
O médico Roberto Debski alerta para o risco deste local se transformar em foco de proliferação do mosquito Aedes Aegypti, que transmite doenças como dengue, Chikungunya e Zika
Crédito: Isabela Graça

“A presença de microrganismos como bactérias, vírus e protozoários na água podem causar infecções gastrointestinais, gastroenterite, hepatite e até mesmo leptospirose e cólera. Algumas dessas doenças, quando acontecem de forma severa, podem comprometer a saúde de maneira grave, causando infecções intensas, sequelas e, inclusive, a morte”, explica o médico. 

 

A importância da manutenção 

Em São Paulo, o Grupo Oceano – especializado em manutenções condominiais – vem fazendo desde 2015 um levantamento sobre as condições das caixas d’água de condomínios, com diagnósticos em mais de quatro mil unidades. O resultado, segundo eles, é alarmante. De acordo com os dados colhidos em 2021, mais de 80% dos condomínios vistoriados estão com as suas caixas sem a manutenção em dia. 

“A limpeza com cloro é obrigatória a cada seis meses, mas ela limpa de forma superficial. Além disso, com o tempo, a argamassa vai se decompondo e as ferragens começam a ficar expostas. Por isso, o recomendável é que a cada cinco anos seja feita a manutenção, que consiste nos reparos estruturais e na impermeabilização do reservatório”, explica Deisy Cristina Souza dos Anjos, diretora comercial da empresa. 

Segundo ela, com a pandemia e o aperto no orçamento de alguns condomínios, algumas administrações têm optado por fazer apenas os reparos mais urgentes e inevitáveis, como em casos de problemas no encanamento, e postergam a manutenção. “Houve casos em que encontramos animais mortos e, inclusive, um ninho de barata no reservatório. Mesmo assim, ouvimos do síndico que não havia orçamento para a manutenção. É um risco enorme para a saúde dos moradores. Além disso, existe o perigo de danos estruturais. Já soubemos de casos em que a caixa d’água desabou e levou a cozinha de um apartamento. Em prédios mais antigos, pode ocorrer até mesmo um dano na estrutura do edifício”, explica Deisy.

 

A busca por opções mais saudáveis 

Quando o assunto é caixa d’água, há recomendações e soluções que oferecem uma melhor qualidade de vida aos moradores. Uma delas, por exemplo, é sobre a localização dos reservatórios: “A preferência é que as caixas d’água não fiquem expostas diretamente ao sol. Isso aumenta a temperatura da água e a potencialidade da proliferação de bactérias ali dentro. Outro fator fundamental e importante para a qualidade de uma caixa d’água é a facilidade de limpeza dela. Às vezes, por exemplo, ela está localizada no topo do prédio, de uma forma que é impossível acessar com facilidade, portanto não acaba não recebendo a manutenção com a frequência adequada”, explica Allan Lopes, fundador e diretor global da Healthy Building Certificate (HBC), empresa especialista na consultoria e certificações de construções saudáveis que atua no Brasil nos Estados Unidos.

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Para o especialista Allan Lopes, é importante que as caixas d’água não fiquem expostas diretamente ao sol, pois a temperatura da água pode contribuir na proliferação de bactérias ali dentro

Com relação ao material do reservatório, segundo ele, boas opções são as feitas em PPR, alumínio e alvenaria. Já materiais como plástico convencional, poliuretano, polipropileno e o amianto não são recomendados. 

Para Lopes, é importante que o tema esteja em pauta entre os moradores, até mesmo para planejar eventuais investimentos necessários. “Investir em materiais de maior qualidade tem sempre um custo intrínseco envolvido e que sem dúvidas precisa ser contabilizado na questão de saúde e bem-estar de todo mundo. No final, mesmo que o custo seja maior, vale a pena pois estamos falando de saúde. Quando a gente negligencia o cuidado com as caixas d’água passamos a ter alguns níveis de problemas”, frisa. 

Ele acrescenta que é importante, ainda, ficar sempre atento à qualidade da água fornecida pela concessionária: “É importante se atentar para a qualidade química da água. E aí vai depender muito da concessionária. Ou seja, o quanto que ela retira de metais pesados, como essa água é tratada e como é o sistema de abastecimento. Feito primeiro o exame dessa água, depois tratamos melhor do âmbito da caixa d’água em específico, já que materiais inadequados podem liberar químicos prejudiciais à saúde. Alguns elementos, como os metais pesados, podem ser encontrados na água e podem desencadear até mesmo doenças degenerativas, como esclerose múltipla, Alzheimer ou Parkinson. Então, podemos dizer que o descuido pode levar a ter uma simples infecção de garganta, aguda e pontual que vai ser resolvida rapidamente, até uma intoxicação por excesso de metais pesados acumulados ao longo da vida, desencadeando problemas mais crônicos e de resolução muito mais complexa ou até mesmo de não resolução”, alerta.

 

Por: Gabriel Menezes

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