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São as águas de março… Trazendo prejuízos

Por Revista Síndico
Última atualização: 17/03/2022

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Em outubro de 2021, uma forte ventania atingiu a cidade do Rio de Janeiro, com rajadas de ventos de até 77,8 km/h, segundo a Defesa Civil da cidade. O Condomínio do Edifício Santo Antônio, de 12 unidades, no Andaraí, foi uma das vítimas e teve boa parte do seu telhado arrancado pela força do vento, provocando a necessidade urgente de uma obra de manutenção, que começaria um mês depois. 

Apesar de acontecer ainda em outubro, a forte ventania já anunciava o que viria pela frente: uma das mais fortes temporadas de chuva e de ventos dos últimos anos, que culminou com tragédias em janeiro e em fevereiro de 2022, especialmente na região serrana do Rio, assolada recentemente por enchentes e enxurradas, que deixaram mais de 140 mortos. 

Ano após ano, o problema das chuvas fortes de verão, que costuma atingir seu ápice em março, traz diversas consequências para os brasileiros. E pode trazer grandes prejuízos também, como no caso do Edifício Santo Antônio. E para evitar a destruição e o prejuízo inesperado, é preciso redobrar a atenção, especialmente com a manutenção preventiva.

A síndica do Santo Antônio, Jane Villalba, revela que já há algum tempo, o telhado vinha demandando pequenos ajustes. 

“Há alguns anos já tínhamos problemas no telhado, por falta de manutenção das gestões anteriores. A gente fazia uma manutenção preventiva, olhava o telhado frequentemente, realizada a limpeza das calhas e daí ia ‘remendando’ quando necessário, com reparos paliativos. Mas diante de uma chuva como essa, ficamos de mãos atadas e tivemos que iniciar, quase que imediatamente, a manutenção e a troca de praticamente todo o telhado”, diz ela, que há dois anos, é síndica do condomínio.

A obra, concluída no início de março de 2022, quatro meses depois, aproveitou apenas uma parte da madeira do telhado, construído na década de 1950.

“Temos praticamente um telhado novo. Evitamos ao máximo isso porque é muito custoso e o prédio é pequeno, então o valor acaba sendo maior para os moradores pagarem, mas era inevitável”, analisa Jane.

Responsável pela obra no condomínio, a Jevic Engenharia, comandada por Victor Jevic, costuma ter uma procura muito maior por obras em telhados nos meses do fim do verão: fevereiro e março. O motivo é um velho conhecido… “É muito comum as pessoas só procurarem serviços deste tipo quando o problema já está grande. De uma forma geral, não costuma haver manutenção, mas sim obras emergenciais, quando o estrago já está feito”, diz o profissional.

Victor explica que é muito comum os síndicos ou o porteiro só identificarem esse tipo de problema quando acontece um vazamento para o apartamento de baixo. 

“E é claro que a forma de evitar que isso aconteça é fazendo uma manutenção constante. Normalmente, quando nos procuram, o problema já se agravou, com infiltrações, laje encharcada e posterior infiltração, gesso dos apartamentos estragados.. Tudo isso poderia ser resolvido com uma manutenção ativa ou um plano de manutenção, que dilua o custo desse tipo de reparo em prestações, assim, o condômino também não sentiria tanto no bolso”, afirma.

Anualmente, deve ser feita a revisão do telhado e das telhas para identificar possíveis trincas, rachaduras e demais problemas. Outro ponto que precisa estar em dia na hora da manutenção é a limpeza das calhas e a impermeabilização das mesmas.

“Não é todo tipo de telhado que costuma ter esse acesso às calhas, por isso é bom sempre chamar uma empresa que auxilie e avalie para que não se acumule sujeira ali. O ideal é limpar as calhas uma vez por semana. Um outro ponto de atenção: não adianta ter as calhas limpas, sem elas estarem impermeabilizadas. O principal vilão das infiltrações são as calhas, por isso, é necessário fazer a impermeabilização uma vez ao ano, mais ou menos, principalmente em lugares onde há árvores perto”, diz Victor Jevic.

O especialista explica que pode ser feito um contrato de manutenção e limpeza do local, mas também é possível explicar os processos ao corpo de funcionários.

O síndico ainda precisa estar atento aos rufos – aquela estrutura de concreto que fica ao redor do telhado, como se fosse um beiral por cima da telha -, e também às saídas das calhas e dos ralos. 

“Geralmente colocamos uma tela para proteger e não entupir. Tem também os ralos abacaxis que são uma estrutura de ferro para não deixar passar sujeira para as águas pluviais”, completa Victor.

O profissional deixa mais uma dica: cuidado com os parafusos!

“Por conta do intemperismo, muitas vezes os parafusos que seguram as estruturas do telhado vêm oxidando e o síndico não sabe ou não percebe e o parafuso fica ali, bem oxidado, correndo o risco de soltar as telhas com uma ventania”. 

 

Todo cuidado é pouco e há muito a ser observado

E não para por aí. Além de toda a atenção com o telhado, o síndico precisa olhar também as caixas de esgoto e de gordura, para conferir se não há sujeira em excesso, correndo o risco de causar entupimentos. Há diversas empresas especializadas no serviço de limpeza desses espaços, e elas costumam ser acionadas anualmente, dependendo do tamanho do condomínio e do número de condôminos.

É preciso ainda prestar atenção nos equipamentos de drenagem de água, como aqueles drenos dos jardins, para evitar que entupam, bem como fazer a manutenção de bombas de escoamento. Um outro cuidado recomendado é fazer – ou solicitar à prefeitura – a constante poda das árvores, para evitar acidentes, e estar em dia com os geradores de energia e todo o sistema de iluminação de emergência, pois as chuvas também costumam trazer falta de luz e os elevadores podem parar bruscamente, deixando os moradores presos. 

Os telhados também são os locais onde ficam os pára-raios, que normalmente são acoplados na construção dos prédios, mas que precisam de observação constante para que estejam sempre prontos para qualquer tipo de circunstância. 

Uma outra situação que precisa estar no radar dos síndicos é a manutenção de encostas e muros de contenção, se o condomínio estiver localizado em áreas deste tipo, como é o caso da cidade de Petrópolis, erguida em região montanhosa.
Nesses locais, a manutenção depende de empresas especializadas em geotécnica ou em estrutura, normalmente públicas, dependendo das condições da área a ser vistoriada. O tema não é muito claro em relação às normas que definem os prazos para esses reparos. Além disso, poucos síndicos têm informações sobre o assunto, até mesmo sobre de quem é a responsabilidade pela conservação.

“O desenvolvimento urbano alterou drasticamente os ambientes que cercam rios, barrancos, montanhas e demais espaços onde existem construções. Consequentemente, em períodos de chuva forte, sempre precisamos lidar com alagamentos, enxurradas, deslizamentos, entre outros problemas. Assim, precisamos assumir que não é possível controlar o clima, mas pode-se prevenir um local contra desastres”, diz o geógrafo Leonardo Ferreira.

O geógrafo explica que, como assistimos constantemente no noticiário, nem sempre a gestão pública vai fazer o seu trabalho. “O que a gente vê acontecer anualmente é uma grande negligência do poder público em assumir problemas como construções erguidas em áreas de encosta que, com o passar dos anos, podem trazer riscos fatais. Portanto, os síndicos não podem também negligenciar. É preciso acompanhar de perto casos como esses para evitar mais tragédias”, diz.

E a previsão é de chuva! Em 2022, o Brasil está vivendo um dos seus verões mais intensos, com fortes chuvas e ventanias irregulares e extremas. Segundo especialistas, isso se explica pela ocorrência do fenômeno La Ninã, que aliado ao aquecimento da temperatura do planeta, provoca, a cada ano, chuvas ainda mais intensas, além de picos de calor e estiagens prolongadas. Mas este ano, o efeito é ainda mais grave.

O serviço MetSul Meteorologia diz que o que está complicando tudo em 2022 é o fato do fenômeno La Niña estar acontecendo pela segunda vez consecutiva e isso traz efeitos graves. Em boletim institucional publicado em fevereiro de 2022, o MetSul explica: “Na estiagem anterior, o nível dos rios havia caído muito e já estávamos enfrentando uma crise hídrica e energética. A chegada de um novo La Niña não deu tempo para os rios se recuperarem. A chuva de inverno não foi suficiente. O solo também não se recuperou da seca e estamos enfrentando um segundo ano consecutivo de estiagem severa.”

Portanto, as chuvas continuarão. E na dúvida, previna-se!

 

Checklist completo para a prevenção contra as chuvas:

  • Checar as telhas e o telhado como um todo, incluindo rufos e parafusos e fazer manutenção preventiva;
  • Conferir se as calhas estão sendo limpas constantemente e impermeabilizadas com filtros que impedem a passagem de objetos pesados e lixo;
  • Conferir se os ralos não estão cheios;
  • Limpar periodicamente a caixa de esgoto;
  • Realizar a manutenção de bombas de escoamento e de equipamentos de drenagem de água;
  • Checar se os geradores de energia estão funcionando;
  • Estar atento às condições geográficas da área em que o condomínio se localiza;
  • Solicitar ou efetuar constantes podas de árvores;
  • Fazer a manutenção de pára-raios;
  • Acompanhar os comunicados da Defesa Civil da sua cidade.

 

Por: Mario Camelo

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