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6 ideias para as cidades brasileiras

Por Revista Síndico
Última atualização: 23/10/2020
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Os exemplos que as metrópoles nacionais podem adotar para combater seus principais problemas.

Ideias podem salvar cidades e vidas? Pegue o exemplo de Nova York. Um programa de computador ajudou a reduzir a criminalidade a níveis tão baixos a ponto de virar exemplo mundial. O mesmo sistema foi usado na cidade de São Paulo com resultados semelhantes: a taxa de homicídios por 100 mil habitantes caiu, em dez anos (de 1999 a 2009), de 52,58 para 11,23. O programa, chamado de CompStat (abreviação de Computer Statistics) nos Estados Unidos e de Infocrim no Brasil, é baseado no uso inteligente de informação. Os crimes são mapeados e analisados. Com isso, a polícia pode criar rotas para que suas patrulhas passem pelos pontos de maior perigo, nos horários em que há maior chance dos criminosos atuarem. Segundo Túlio Kahn, sociólogo que é coordenador de análise e planejamento da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo, o programa pode ter feito com que, tomando como base as estatísticas de homicídios nos últimos dez anos, por volta de 50 mil pessoas tenham “deixado de morrer” no estado.

Sim, saber usar a informação pode salvar cidades. Às vezes, vale até se inspirar nas ideias alheias. “Sem vergonha alguma, pegávamos ideias de outras cidades”, diz Ron Littlefield, prefeito de Chattanooga, uma antiga cidade industrial situada no Estado do Tennessee, nos Estados Unidos. A cidade de 170 mil habitantes deixou de ser a mais poluída do país para se tornar uma das mais verdes. Despoluiu o rio que a atravessava, construiu parques, arborizou o centro.

Com informação, é possível planejar um futuro melhor. Em 1984, a administração da então decadente Chattanooga perguntou aos cidadãos, em dezenas de reuniões, qual era a cidade que desejavam passar aos filhos no ano 2000. “Passamos do local mais poluído dos EUA para o mais transformado, escutando nosso povo e colocando os planos em ação”, afirma Littlefied.

A força do uso inteligente da informação nas administrações municipais foi reconhecido na Conferência Internacional Cidades Inovadoras 2010, realizada em Curitiba, em março deste ano, que reuniu arquitetos, prefeitos e engenheiros para divulgar novas ideias para solucionar velhos problemas. Entre esse pessoal, havia dois convidados especialistas em redes sociais: Steven Johnson, expert em comunicação digital e autor do livro Emergência: As Vidas conectadas de Formigas, Cérebros, Cidades e Softwares, e Clay Shirky, autor de Here Comes Everybody: The Power of Organizing Without Organizations (Aí Vem Todo Mundo: O Poder de Organizar Sem Organizações, sem edição no Brasil).

“As novas tecnologias e redes sociais possibilitam a troca de informação sem burocracia”, diz Shirky. “Um exemplo: ninguém melhor que o cidadão sabe o estado em que se encontra determinada rua. Quanto antes ele reportar isso para a administração, melhor para todos.” Para Johnson, “as administrações públicas são pobres e geralmente desorganizadas. A ideia, então, são programas de plataforma aberta, para que todos possam entrar, contribuir e ter acesso aos dados”.

ECOLOGIA | Como transformar uma cidade poluída em um exemplo verde

Até a década de 1980, Chattanooga, no Tennessee, era uma espécie de Cubatão americana. A chegada das indústrias, na década de 30, trouxe desenvolvimento — o pensamento da época era “se cheira a fumaça, cheira a dinheiro” — mas em 1969 a percepção já era outra. Foi nesse ano que, em rede nacional, Walter Cronkite, o âncora de maior prestígio da TV americana, anunciou que Chattanooga era o lugar mais poluído dos Estados Unidos. “Era apenas concreto, asfalto e ferro”, afirma Ron Littlefield, atual prefeito e um dos artífices da mudança de status da cidade, hoje uma das mais verdes dos EUA. Em 1984, foram realizadas dezenas de reuniões com a população com o objetivo de definir qual cidade eles queriam para o ano 2000. A “suja, feia e perigosa” Chattanooga passou a plantar árvores no centro da cidade para renovar o ar; comprar áreas de antigas indústrias, quebradas ou abandonadas, e transformá-las em parques de todos os tipos, fontes, aquários públicos; e revitalizar as margens do rio Tennessee (um dos cinco maiores dos EUA), agora frequentadas e utilizadas pelas pessoas para lazer, esportes e artes.

DOCK DOCK | Como transformar carros em transporte público

A próxima grande solução para o transporte urbano tem 60 cm de largura, 1,38 m de comprimento e 1,50 m de altura. O Dock Dock faz parte da nova filosofia de trânsito concebida pelo ex-prefeito de Curitiba Jaime Lerner: transformar veículos individuais em transporte público. Destinado para regiões nas quais há necessidade de limitar o uso do carro, o Dock Dock é um pequeno veículo elétrico que vai funcionar quase como um celular pré-pago: o custo do aluguel dependerá do tempo de uso. Segundo Lerner, os Dock Dock ficarão próximos de pontos estratégicos, como terminais de ônibus e metrô, centros culturais e comerciais. Depois de usar, é só devolver no ponto mais próximo — na vaga de um carro comum cabem seis Dock Dock. O projeto de Lerner e do designer Emílio Mendonça ainda não saiu do papel, mas tem um custo individual previsto em US$ 4 mil, 3 vezes mais barato que um carro popular.

BICING | Como fazer uma cidade inteira andar de bicicleta

Quanto você gasta de transporte por mês? Se for de carro, é só dividir os custos somados de combustível, seguro, impostos e do valor do veículo. E mesmo que você se desloque por ônibus ou metrô, o valor certamente ficará muito acima de R$ 7,50. Pois este é o valor da assinatura mensal do sistema de aluguel de bicicletas de Barcelona. A estrutura é composta por 400 estações e 6 mil bicicletas. Quem quiser usá-lo faz um cadastro e em dez dias recebe um cartão de usuário. É só encostá-lo em qualquer estação (a distância entre as estações não é maior que 400 m) para destrancar a bike e sair pedalando por até 30 minutos. Os muitos prós do sistema quase foram suprimidos no início da operação, em 2007, por causa do alto índice de vandalismo (o que também atingiu programas semelhantes em Paris e no do Rio de Janeiro). Mas uma campanha reverteu a má-educação e hoje o Bicing, como é conhecido, é considerado o meio de transporte público mais barato do mundo.

 

Fonte: 

Crédito ilustração: Gerson Mora e Anna Luiza Aragão

POR JONE ROSSI E NAJIA FURLAN

http://revistagalileu.globo.com/Revista/Common/0,,EMI135052-17773,00-IDEIAS+PARA+AS+CIDADES+BRASILEIRAS.html

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