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Vamos falar de saúde mental?

Por Revista Síndico
Última atualização: 26/10/2021

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Ninguém está bem. Provavelmente você já leu ou ouviu essa frase em algum momento desde o início da pandemia do Novo Coronavírus. Repetida em textos e publicações de redes sociais, ela reflete os impactos emocionais que o distanciamento social — e tudo que veio com ele, como quarentena, mudanças bruscas na rotina, desemprego, fechamento de escolas e universidades, entre tantas outras coisas — impôs à maior parte das pessoas desde o início de 2020.

Uma série de pesquisas têm apontado o declínio da saúde mental na população brasileira por conta do cenário pandêmico. A mais recente foi encomendada pelo Laboratório Pfizer e indicou que os jovens são os mais afetados. Segundo o estudo, 50% dos entrevistados de 18 a 24 anos afirmaram estar com a saúde mental ruim ou muito ruim. Os problemas mais comuns relatados pelo grupo foram irritação e insônia.

Divulgado no último dia 1º de setembro, a pesquisa ouviu cerca de duas mil pessoas nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba e Salvador.

“Os jovens, por não serem vistos como suscetíveis a problemas sérios com o Coronavírus, não tiveram muito receio de ficar doentes, mas sim de colocar pessoas próximas — como pais e avós – em risco. A maior perda que eles tiveram foi a privação do contato social com amigos, colegas de escola, faculdade e estágio”, comenta Rodrigo Fernando Pereira, Doutor em Psicologia Clínica pela Universidade de São Paulo (USP).

Definida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como o estado de bem-estar no qual as pessoas são capazes de usar bem suas habilidades e lidar de forma positiva com o estresse, a saúde mental da população jovem não está prejudicada apenas no Brasil. A Universidade de Calgary, no Canadá, analisou cerca de 30 estudos conduzidos na Ásia, Europa, América e Oriente Médio com dados de mais de 80 mil crianças e adolescentes. Independentemente do país, todos apresentavam resultados que apontavam para um aumento expressivo de transtornos mentais durante a pandemia. Em alguns casos, o número de jovens com sintomas de depressão chegava a 25% dos entrevistados. Já os sintomas de ansiedade comprometiam um em cada cinco analisados.

 

Sofrem, em especial, aqueles com uma rotina mais difícil de adaptar aos tempos de isolamento. “Os jovens que preferem ficar em casa e, mesmo antes da pandemia, não gostavam dos ambientes escolares até receberam bem a ideia de poderem realizar as suas atividades de casa. Já aqueles com o perfil oposto, ou seja, que saíam bastante ou mantinham encontros regulares com amigos e familiares, sofreram mais o impacto”, avalia Rodrigo.

Síndrome respiratória viral mais grave desde a pandemia de influenza H1N1, em 1918, o Coronavírus impôs a muitos jovens não só o medo constante da perda de entes queridos, mas também a ansiedade diante de uma possível redução da renda familiar, em virtude da crise econômica agravada pela pandemia, e a incerteza diante de suas perspectivas de emprego e carreira. 

“A saúde mental declina quando as condições sociais pioram. Diminuição de renda, de emprego, piores condições de trabalho para aqueles que continuam empregados… tudo isso faz com que as pessoas adoeçam”, pondera Rodrigo Fernando Pereira. 

homem com casaco azul
Segundo Rodrigo Fernando, Doutor em Psicologia Clínica, a maior perda que os jovens tiveram foi a privação do contato social com amigos, colegas de escola, faculdade e estágio

A palavra de ordem é: autocuidado

No debate sobre saúde mental, o autocuidado ganha cada vez mais espaço. Ele coloca em foco a necessidade de o jovem aprender a reconhecer situações estressantes, estabelecer limites e definir estratégias de manutenção de sua saúde mental na hora de lidar consigo mesmo e com outras pessoas.

A dica geral é promover ações positivas em diferentes esferas da vida — emocional, psicológica, física, espiritual e comunitária, convidando o jovem constantemente a colocar sua saúde mental como a prioridade de suas decisões, desde que não prejudique outras pessoas. 

Nesse caminho, vale passar mais tempo com entes queridos e amigos e ser afirmativo consigo, elogiando-se sempre que possível.  O cuidado físico também tem um protagonismo especial. Sendo assim, ações simples como dormir o suficiente, usar roupas agradáveis, comer de forma saudável e exercitar-se são muito importantes. 

Da mesma forma, o autocuidado espiritual, promovido por meio de atividades que ajudam o jovem a sustentar um significado para a vida, também deve ser considerado. Meditar, cantar, estar aberto a não saber e abdicar de estar no comando o tempo todo são medidas que trazem benefícios claros. 

Por fim, o autocuidado envolve também a adoção de soluções positivas em casa e na comunidade. “Quando falamos de autocuidado, é importante não cairmos numa ideia de que a pessoa está mal por sua própria culpa e que só cabe a ela resolver. A vida pode ser difícil. Dizer que ela precisa fazer algo para se sentir melhor pode só aumentar o estresse. A primeira coisa a se fazer é não se culpar por estar mal, ainda mais quando estamos todos passando por um momento tão complicado. Não se exija demais e faça só o que é possível”, alerta o especialista da USP.   

 

Informe-se e busque ajuda

No intuito de conscientizar jovens e adolescentes sobre a importância do cuidado com a saúde mental, foi lançado o Guia do Autocuidado – Ser adolescente e jovem que se cuida!. De forma lúdica e com linguagem leve, a publicação, parceria do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) com a Associação pela Saúde Emocional de Crianças (Asec Brasil) e o Movimento Saber Lidar, traz estratégias reais de enfrentamento à depressão e ansiedade. 

Outros canais úteis de ajuda são o Centro de Valorização da Vida (Telefone 188 ou no Chat) e os Centros de Referência de Assistência Social, que oferecem tratamento psicológico e apoio.

 

Por: Aline Duraes

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