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Em alerta para preservar a calmaria e a segurança

Por Revista Síndico
Última atualização: 03/11/2020
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Por: Gabriel Menezes

Com a violência crescente e cada vez mais sofisticada nas grandes cidades, a preocupação com a segurança do condomínio é uma questão que vem ganhando importância ano a ano.

De acordo com os dados do Instituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro, apenas em janeiro 74 residências foram roubadas no estado. O número é menor do que o registrado no mês equivalente em 2019 (116), mas ainda bastante preocupante.

O assunto precisa estar presente não só nas assembleias com os proprietários, mas no dia a dia, na forma de cuidados preventivos, para evitar o pior. Cabe ao síndico garantir que isso aconteça.

Tecnologia + pessoal treinado

No Condomínio Tour Mariana, em Botafogo – administrado pela APSA -, os proprietários reconhecem essa importância. Uma série de medidas vêm sendo adotadas frequentemente para tornar o ambiente mais seguro. A mais recente delas foi a instalação de uma portaria virtual, há cerca de um ano e meio.

“Percebemos que a segurança era um aspecto de extrema fragilidade na rotina do nosso condomínio. Por mais que falássemos e orientássemos, os porteiros não seguiam as normas de segurança. Além disso, diversas vezes verificamos entregadores e prestadores de serviço circulando pelo prédio sem nenhum tipo de controle”, explica a síndica, Isabella de Noronha França, sobre a decisão da instalação do equipamento.

Segundo ela, o investimento inicial para a implantação do sistema foi de R$ 6.900, pois foi necessária a instalação de uma área de clausura. O sistema, no entanto, aproveitou boa parte das câmeras que já existia no prédio. Outras, foram instaladas em pontos estratégicos.

“O desejo principal com o sistema era aumentar a segurança, mas percebemos que também houve uma redução dos custos mensais com empregados e um aumento na qualidade dos serviços de zeladoria”, destaca Isabella.

No cargo de síndica há mais de dois anos, ela acrescenta que o condomínio adotou, ainda, outras medidas para aumentar a segurança.

“Nenhum entregador entra mais no condomínio, por exemplo. Se a entrega for realizada dentro do horário de trabalho dos zeladores, eles estão autorizados a receber a encomenda.  Caso essa entrega aconteça após a saída do zelador, o morador é comunicado e tem que descer para receber a encomenda. Já em caso de obra ou algum serviço que vá ser realizado no interior dos apartamentos ou no próprio prédio, tem que ser feito um cadastro com o nome e o CPF dos profissionais que irão entrar no prédio e por quanto tempo permanecerão’, conclui Isabela.

Investimentos na área vêm aumentando

A preocupação com a segurança nos condomínios é uma realidade cada vez mais presente. A afirmação é do diretor de condomínios e locação da Associação Brasileira das Administradoras de Imóveis (Abadi), Marcelo Borges. Segundo ele, as administrações passaram a investir nos últimos anos em recursos tecnológicos e humanos, aumentando a contratação de soluções que possam diminuir a vulnerabilidade.

“Dentre essas, podemos destacar uma maior atenção na capacitação e treinamento dos empregados, incremento na instalação de circuitos fechados modernos, estudos para implantação de portaria remotas (virtuais), orientações aos moradores, obrigatoriedade de cadastros e maior monitoramento na entrada de pessoas e visitantes, proibição do acesso de entregadores à domicílio”, comenta o diretor da Abadi.

Ele destaca que a popularização de plataformas de aluguel por temporada é um dos temas que acendeu o sinal de alerta nos últimos anos, já que elas fazem com que aumente a circulação de pessoas estranhas nos condomínios.

“Recomenda-se que os condomínios aprovem em assembleias medidas que possam diminuir os transtornos com essa espécie de ocupação transitória, como a obrigação de preenchimento de ficha cadastral, contendo informações dos ocupantes com a devida identificação; declaração do proprietário autorizando a entrada dos locatários, limitação do número de pessoas no imóvel locado e rigor na aplicação de penalidades previstas nos estatutos internos na hipótese de comportamentos nocivos e antissociais”, diz.

Borges salienta que a tecnologia é uma grande aliada na prevenção, mas que ela só funciona se os funcionários estiverem capacitados e orientados: “Atualmente, existem ferramentas com tecnologias cada vez mais modernas que vêm exclusivamente para trabalhar como aliadas à segurança dos condomínios.

Uma das primeiras sugestões é a instalação de sistemas de controle de acesso capazes de monitorar tudo o que acontece dentro do condomínio. Outra recomendação são os sistemas de alarme e acesso biométrico, por exemplo. No entanto, para realmente reforçar a segurança é importante que os funcionários sejam devidamente treinados para saber operar com essas tecnologias.

Além disso, é fundamental que haja uma mudança de postura tanto de colaboradores como de moradores, afinal o melhor resultado na segurança é saber equilibrar a implantação de sistemas eletrônicos com meios humanos”, conclui.

Setor passou uma verdadeira transformação nos últimos anos

Não só o crescimento, mas a sofisticação dos criminosos fez com que a área de segurança residencial passasse por uma grande transformação nos últimos anos.

De acordo com Raimundo Castro, professor no curso “Segurança em Condomínios Residenciais e Comerciais – Técnicas e Atitudes”, da Universidade do Mercado Imobiliário (UniSecovi), no Rio de Janeiro, as empresas de segurança, principalmente as de segurança eletrônica, passaram a desenvolver elementos de controle capazes de oferecer uma maior sensação de segurança. Sozinhos, no entanto, esses elementos não são eficazes.

“Com o aumento da violência urbana, consequentemente também houve um acréscimo significativo nos assaltos aos condomínios. Os gestores, então, se viram na obrigação de cuidar da prevenção da segurança dos prédios.

É notório que investimentos foram realizados, mas ainda falta muito, principalmente com relação à capacitação das pessoas. Costumo dizer que não adianta nada disponibilizar recursos tecnológicos se o principal, que é recurso humano, não está preparado”, comenta o especialista.

Para ele, existem erros clássicos cometidos pela administração de um condomínio que acabam tornando a segurança local mais frágil. O primeiro deles é a contratação de funcionários sem qualquer tipo de pesquisa do histórico e das referências da pessoa.

Em seguida, está a falta de capacitação dos profissionais que atuam nas portarias. Por último, ele aponta a instalação de sistemas de segurança eletrônico sem a menor viabilidade técnica. “No meu curso, tenho abordado os pilares do trinômio da segurança como a única forma efetiva de prevenir o crime, mesmo sabendo que não existe segurança cem por cento eficaz. São eles: infraestrutura de portarias protegidas, recursos tecnológicos adequados e recursos humanos capacitados.  Os cursos são fundamentais. Além de dar dicas importantes, ele também serve como uma forma de conscientizar a equipe”, salienta Castro.

Além dos cursos privados, a Polícia Militar do Rio de Janeiro também oferece capacitação gratuita para os porteiros com dicas de segurança. Os cursos são esporádicos e os interessados devem procurar os batalhões da sua região ou acompanhar a abertura de turmas pelo site da corporação: < pmerj.rj.gov.br>.

Portaria remota pode ser uma aliada

A portaria remota é uma alternativa que vem sendo buscada por muitos condomínios como uma forma de tornar a segurança local mais eficaz.  Entre as principais vantagens do sistema está o fato dele seguir o regimento interno ao pé da letra.

“Um dos grandes sonhos dos síndicos é que o regimento interno de controle de acesso do condomínio seja seguido à risca.  No entanto, em muitos lugares, devido à proximidade do porteiro com o morador, muitas dessas regras são burladas. Na portaria remota, o regimento será inserido num software e não há como ser quebrado. Se uma pessoa vai receber uma pizza, por exemplo, e o acesso dos entregadores não é permitido, não há conversa ou jeitinho que vá mudar isso”, explica Odirley Rocha, diretor comercial de uma empresa especializada no segmento que atende cerca de 1.200 condomínios por todo o país.

Segundo ele, a implantação da portaria remota é feita em, no máximo, dez dias. A partir daí, todos os moradores precisam instalar um aplicativo em seus celulares para conseguir fazer o acesso ao condomínio.

“O morador ou o funcionário abre o aplicativo e, ao acessar o condomínio, a família é avisada da sua chegada. Por exemplo, se a minha diarista vem às quintas-feiras, às 10h, eu consigo programar para que a liberação do seu acesso ocorra somente neste dia e horário. Assim que ela chegar ao local, eu recebo uma notificação”, detalha Rocha.

E, com o aumento da preocupação com a higiene por conta da pandemia do Coronavírus, o sistema também apresenta uma vantagem, já que o acesso é feito pelo celular sem qualquer contato com a maçaneta das portas, por meio da tecnologia de QR Code. De acordo com os especialistas, o vírus é capaz de sobreviver por até três dias nas superfícies.

No entanto, ao decidir instalar um sistema de portaria remota, é fundamental, de acordo com ele, verificar a idoneidade e competência da empresa que está oferecendo o serviço.

“A portaria remota vai mudar completamente o dia a dia de todos os moradores. Então, é preciso seguir alguns cuidados. O primeiro passo é que a empresa faça uma análise de risco do condomínio. Ou seja, ela precisa verificar o fluxo e as entradas, fotografar tudo, e depois apresentar um projeto específico para o local. Também é muito importante que o síndico vá até a empresa que está oferecendo o serviço e fique, por pelo menos uma hora, percebendo como os funcionários trabalham, se eles são educados…”, opina o diretor.

Ele destaca, no entanto, que mesmo com o sistema, é recomendável a manutenção de um funcionário de serviços gerais para atuar durante o horário comercial. “Na nossa empresa, por exemplo, exigimos a presença desse funcionário. Ele é uma pessoa de apoio, que será fundamental no dia a dia.

 

 

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