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Como controlar quais dados pessoais são armazenados pelo smartphone

Por Revista Síndico
Última atualização: 07/06/2021

digital composite of hand holding smartphone with vignettes
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No cinema já é algo comum: a agência de inteligência ou o espião da história entra em um sistema e, em segundos, acessa os dados pessoais de qualquer pessoa em qualquer lugar do mundo através do smartphone.

A cena nem choca mais e até faz sentido. Os dispositivos móveis, como smartphones e tablets, são os alvos preferidos quando o tema é ataque cibernético, primeiro porque são mais numerosos, depois, porque concentram mais informações sobre os usuários.

No Brasil, por exemplo, segundo o portal de dados Statista, 99% das pessoas que acessam a internet utilizam um smartphone para isso. De acordo com o relatório Global Mobile Security 2021, da Pradeo, empresa especializada em segurança mobile, os conteúdos mais roubados dos dispositivos móveis são dados de localização, listas de contato, estatísticas de uso, fotos, arquivos de áudio e vídeos.

Os aplicativos instalados nos aparelhos são as principais portas de entrada dos criminosos, sendo responsáveis pelo comprometimento dos dados em 76% dos casos, de acordo com outro levantamento da Pradeo, o Enterprise Mobile Threat Landscape.

 

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Os dispositivos móveis, como smartphones e tablets, são os alvos preferidos quando o tema é ataque cibernético Foto: Shutterstock

Por isso é preciso fazer a pergunta: você tem certeza que seus dados pessoais estão seguros em seu smartphone? Saber como controlar o que o seu aparelho guarda hoje em dia é tão ou mais importante como era – há alguns anos – proteger a carteira com todos os documentos e dinheiro dentro.

Afinal, quantos dados pessoais os smartphones guardam?

A resposta para a pergunta acima poderia ser facilmente: todos e mais alguns que você nem imagina. Marijus Briedis, CTO da NordVPN, elenca os principais:

  • Localização: vários aplicativos – não apenas aqueles que têm um mapa evidente – requerem acesso aos serviços de localização em seu smartphone e rastreiam sua localização o tempo todo.
  • Senhas: quase todos os aplicativos em um smartphone precisam de registro, sem mencionar as várias lojas e serviços online nos quais costumamos fazer login em nossos aparelhos.
  • Informações de faturamento: endereço, número de cartões de crédito e informações de contato normalmente ficam armazenadas quando se faz compras no smartphone.
  • O que você fala: assistentes virtuais, como Siri, da Apple; Alexa, da Amazon; ou o Google Assistente, podem gravar o que você diz e armazenar essas informações.
  • Seus movimentos: seu smartphone está equipado com um acelerômetro e um giroscópio, que mede seu movimento físico, orientação e rotação angular para fornecer aos apps de saúde e esportes uma imagem muito precisa de seus movimentos, como sentar, ficar em pé, caminhar, se curvar, etc. Essas informações podem indicar o que você está fazendo em dado momento do dia.
  • Sua biometria: muitos smartphones reconhecem seu rosto e/ou sua impressão digital para controlar acessos aos aplicativos ou o próprio aparelho.

 

Além disso, quem utiliza os serviços do Google a todo momento acessa via smartphone e-mails, fotos e arquivos armazenados no Drive. Toda essa movimentação gera registros. “Uma foto que você envia para alguém ou carrega online de seu telefone revela o modelo específico do seu telefone, bem como a localização e hora precisas em que a foto foi tirada”, exemplifica o executivo.

Muitos serviços só podem ser oferecidos pelo dispositivo ou pelos aplicativos se o acesso a algumas dessas informações for concedido. É obviamente impossível para um app de trânsito funcionar perfeitamente se a permissão de acesso à localização do aparelho não for fornecida, por exemplo. É preciso fazer um controle caso a caso.

O usuário também é responsável pela segurança

A responsabilidade pela segurança de dados pessoais que estão no aparelho é o tempo todo do usuário. A tecnologia pode ajudar a manter o dispositivo seguro, mas é o comportamento do dono do smartphone que vai fazer a diferença.

Não existe como evitar a colocação de dados pessoais no smartphone ou nos aplicativos, então é preciso mudar a forma de realizar esse processo. Uma prática que coloca em risco a segurança dos aparelhos, por exemplo, é baixar aplicativos sem verificar quais são suas permissões de acesso.

“Os aplicativos sempre pedem permissão para acessar seus contatos, câmera, microfone ou localização, embora alguns deles possam fazer seu trabalho sem isso. Não aprove essas solicitações sem questioná-las, e você provavelmente evitará que os rastreadores identifiquem suas informações privadas”, ensina Marijus Briedis.

Outro hábito arriscado é usar senhas simples demais e ligadas a datas. O CTO da NordVPN recomenda o uso da autenticação de dois fatores para as contas online e todos os aplicativos que oferecerem a opção. Basicamente trata-se da criação de uma segunda senha sem a qual é impossível a utilização do app. “Baixe um gerenciador de senhas para gerar senhas exclusivas para diferentes registros e armazená-las com segurança em um cofre criptografado”, orienta Briedis.

“Em relação às informações que suas fotos guardam no smartphone, você pode desabilitar a marcação geográfica nas configurações de privacidade. E a melhor maneira de proteger seus snaps privados de hackers e stalkers é armazená-los em uma nuvem criptografada. Em caso de acidente, nenhuma pessoa de fora poderá acessar suas fotos e você poderá recuperá-las facilmente”, complementa o executivo.

6 práticas para proteger seus dados pessoais

Marijus Briedis aponta a seguir, seis práticas que ajudam a controlar e manter mais seguros os dados pessoais dos smartphones:

1. Compre apenas em sites confiáveis

Criar um site falso é tão fácil quanto poderia ser. Qualquer pessoa pode criar um site de compras falso para obter detalhes pessoais e informações de cartão de crédito de pessoas que caíram no golpe. A melhor maneira de evitar isso é recorrer apenas a sites de compras confiáveis.

“Sempre compre com empresas em que você confia ou com as quais já tenha feito compras. Tenha cuidado ao compartilhar suas informações de cartão de crédito em sites que você nunca usou antes”, recomenda Marijus.

2. Use métodos de pagamento seguros

Marijus Briedis afirma que os cartões de débito nunca devem ser usados para compras online porque, se o PIN for comprometido, pode demorar um pouco até que o usuário perceba que alguém está fazendo compras e usando o cartão.

O ideal é sempre utilizar um cartão de crédito e escolher métodos de pagamento seguros ou sistemas de pagamento de terceiros, como PayPal ou AndroidPay, para proteger as informações. Esses agentes de pagamento terceirizados, segundo o executivo, não revelam os dados dos cartões aos varejistas.

3. Use senhas fortes

Para fazer compras online é preciso criar uma conta na maioria dos sites de compras antes de fazer o pedido. Todas as informações pessoais e financeiras, como endereço de entrega, número de telefone e detalhes do cartão de crédito, são armazenadas nessa conta. É por isso que é muito importante protege-la da melhor maneira possível. “Uma senha boa e complexa é fundamental”, afirma o especialista, que também recomenda:

  • Usar uma combinação de letras maiúsculas e minúsculas, números e símbolos;
  • Evitar usar informações pessoais, como data de nascimento, nome, nomes dos filhos ou cor favorita, pois podem ser facilmente adivinhadas;
  • Evitar usar palavras do dicionário. Inventar algo é melhor;
  • Ao invés de usar uma palavra, criar uma frase secreta, que conterá uma combinação de números e símbolos. Essa frase-senha será muito mais difícil para qualquer um adivinhar.

4. Verifique a segurança da página da web

Ao fazer compras online, é preciso sempre conferir a segurança do site em que se está navegando. A maioria dos sites terá um pequeno ícone de cadeado antes do URL exibido na barra de endereço. Se houver um ícone de cadeado, o site tem proteção de privacidade instalada.

Outra coisa a sempre verificar é se a URL do site seguro começa com “https”, que significa “protocolo de transferência de hipertexto seguro”. Sites que não têm o “s” após o “http” não são seguros – e devem ser evitados.

5. Evite Wi-Fi público

Redes Wi-Fi públicas parecem facilitar a vida, mas não são seguras. Como a senha está disponível gratuitamente, qualquer hacker com um pouco de conhecimento de tecnologia pode interceptar o tráfego que passa pela rede e manter todas as informações que quiser, incluindo e-mails, histórico de navegação ou senhas.

As compras online incluem o compartilhamento de informações pessoais, e fazer isso por meio de uma rede Wi-Fi pública significa que qualquer criminoso pode obter suas informações confidenciais, como detalhes de cartão de crédito ou endereço residencial. Esse tipo de conexão deve ser evitado ao máximo.

6. Use uma VPN

VPN é a sigla para Virtual Private Network, ou Rede Virtual Privada. “Uma VPN estende uma rede privada em uma rede pública e permite que os usuários enviem ou recebam dados em redes públicas como se seus dispositivos estivessem conectados em redes privadas, garantindo assim o anonimato”, explica Marijus Briedis.

Usar uma VPN ao fazer compras online protege a privacidade em vários níveis. Ela oculta o endereço de IP e muda a localização virtual do usuário, além de criptografar todos os dados enviados, a VPN também oculta as informações do usuário dos provedores de internet e os impede de criar perfis com hábitos de compra dos clientes.

 

Fonte: Consumidor Moderno

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