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Condomínio sustentável

Por Revista Síndico
Última atualização: 13/10/2020

sustentabilidade
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Juliana Marques

Hoje em dia, a sustentabilidade tornou-se estratégica na administração de grande parte dos condomínios residenciais, já que muitas ações conciliam eficiência, qualidade e economia, proporcionando vantagens para a gestão orçamentária e ao meio ambiente.

Com a preocupação cada vez mais evidente no que diz respeito ao uso correto de recursos naturais, o mercado imobiliário vem se adaptando à essa nova realidade. Muitos condomínios começaram a investir em ações sustentáveis, que vão da fase de construção até a adoção de novos hábitos. A partir daí o papel de quem mora nesses locais é muito importante, pois é preciso que as iniciativas permaneçam e que sejam usadas no dia a dia.

Projetos verdes

Executar projetos de construção e arquitetura sustentáveis em um condomínio pode ser um grande desafio para engenheiros e arquitetos. Apesar disso, com informação e planejamento, é possível adequar qualquer tipo de projeto para a realidade do local. Por isso, antes de colocar em prática algum trabalho que pareça incrível, é preciso entender se ele é de fato viável.

Com a popularização de técnicas sustentáveis, existe uma infinidade de sistemas e mecanismos que pode ser aplicados – lembrando que a escolha das soluções mais adequadas para um projeto deve ser orientada pelas características próprias do local.

Na opinião da arquiteta e urbanista, Carolina Niemeyer, especialista na criação e execução de projetos verdes para condomínios, casas e ambientes internos, a sustentabilidade hoje pode ser vista de muitas formas. “Qualquer coisa que puder ser feita para ajudar o ambiente já considero como atitude sustentável. Um projeto pode se tornar sustentável, desde o material utilizado nas construções, passando pelo projeto de arquitetura inicial, até a colocação de elementos que tornam o ambiente mais natural”, afirma.

Algumas construtoras já começaram a investir pesado em iniciativas sustentáveis nos condomínios residenciais com práticas que preservam a natureza e ainda ajudam a reduzir o valor da cota condominial. Os projetos verdes costumam preservar as áreas naturais do condomínio e utilizam itens que promovem a conservação do meio ambiente, como o reuso de águas pluviais para irrigação de jardins e limpezas em geral, além de sistema de iluminação dos halls dos pavimentos controlados por equipamentos do tipo sensor de presença. Hidrômetros individuais, torneiras com fechamento automático nas áreas comuns, e pontos de recarga de carros e de bicicletas elétricas também fazem parte dos projetos verdes.

“Quando pegamos um projeto de arquitetura para um condomínio residencial, tentamos sempre implementar algumas ideias para que ele se torne o mais sustentável possível. A área verde é uma parte muito essencial, pois ajuda na diminuição da temperatura do ambiente, através das sombras, e dá vida ao local, a natureza traz mais aconchego e beleza. Para dispor de mais área verde para o espaço buscamos trabalhar com grama, que reduz a quantidade de piso no local e, dependendo do terreno, aproveitamos as árvores e a diversidade de plantas. Nas áreas internas comuns usamos painéis verticais, com paredes verdes e vasos de plantas naturais”, explica Carolina.

As tendências arquitetônicas atuais se preocupam bastante com essa questão, visando não só a integração com o meio ambiente e a diminuição da poluição, mas também a economia e o melhor aproveitamento dos recursos naturais durante a construção e em toda a vida útil do imóvel. O conceito de arquitetura bioclimática vem sendo aplicado em muitos projetos que buscam soluções que harmonizem totalmente o ambiente externo ao interno, passando por técnicas que aproveitem melhor as condições climáticas do local.  Através do estudo dos ventos e da insolação, por exemplo, é possível tornar os ambientes mais arejados nos dias de calor e mais aquecidos nos dias de inverno.

Esses espaços podem ainda ser mais valorizados estimulando-se seu uso. O verde nesses locais proporciona um recinto mais acolhedor, contribuindo para o bem-estar das pessoas que vivem no condomínio. Tendo isso em vista, vale ressaltar que uma decoração e paisagismo bem planejados, com apoio da iluminação e a manutenção adequada, têm despontado como um grande agregador de valor, podendo valorizar o empreendimento entre 10% e 30%.

Nas áreas comuns é possível utilizar madeiras de reflorestamento em portas e esquadrias, e telhado verde nas edículas, que ajudam na redução da temperatura interna dos ambientes e na qualidade do ar. A utilização de telhas claras tem ligação direta com a economia de energia do empreendimento. Como ela exerce maior reflexão da luminosidade, há redução do calor dentro dos imóveis, que pode chegar a 6 graus. Como consequência, vem a redução na conta de luz. Isso porque os aparelhos de ar condicionado e ventiladores ficam de lado, o que proporciona menos gastos.

Prédios e condomínios podem economizar até 30% de energia e 40% de água, reduzindo os custos com condomínio, além dos gastos por unidade, segundo dados da GBC (Green Building Council Brasil), maior organização de construção sustentável do mundo. Além de diminuir os gastos com água e energia, também é preciso pensar em outros aspectos. Quanto antes forem incluídos esses atributos verdes, de preferência ainda na fase de projeto, menor serão os gastos com a construção e maior a economia futura.

Se for necessária a realização de uma obra, é importante estar atento ao menor uso de água e energia possível, incluindo materiais ecológicos e painéis pré-fabricados, que evitam o desperdício. Além disso, o projeto de arquitetura pode considerar a orientação e posição do imóvel, para maximizar a iluminação natural e aumentar o isolamento térmico. “Na área de construção, temos novos métodos, o steel frame que já é conhecido nos EUA e muito utilizado, que são as construções feitas com estrutura de aço e fechamento em madeira, drywall e outros, e por fora argamassa para dar o acabamento” explica a arquiteta. Esse processo gera menos resíduos que construções convencionais, que chega a ser de menos de 1%, e baixa de emissão de CO2 (cerca de cinco vezes menos).

Mais importante do que o ganho patrimonial é a mudança de consciência da população que mora no condomínio em preservar o meio ambiente para uma melhor qualidade de vida para si e para as próximas gerações.

Como tornar o condomínio mais sustentável?

Se o seu condomínio possui uma linda horta no jardim, imagina que bacana seria implantar um sistema de compostagem para adubar a terra? Mas, de nada adianta comprar os materiais para a compostagem sem antes debater com os demais condôminos se eles estão dispostos a separar o lixo orgânico da forma correta. Além disso, será preciso treinar os funcionários do prédio para que o projeto dê certo.

Os condomínios antigos também podem se adaptar a esta ideia de sustentabilidade. No entanto, vale lembrar que, mesmo que o condomínio não tenha estrutura para viabilizar um grande projeto sustentável que envolva a realização de obras e alterações de layout, basta a adoção de pequenas atitudes para ajudar o meio ambiente e ainda reduzir os gastos mensais, desde que sejam aprovadas em assembleia e descritas nas normas de convivência do regimento interno.

Atitudes sustentáveis fazem parte do cotidiano do Condomínio do Edifício São Lucas, localizado na Ilha do Governador. Waldecy Filho, que acumula quatro anos de experiência na gestão do condomínio, implantou diversas ações sustentáveis que trouxeram redução nos gastos e contribuíram com o meio ambiente. Entre elas estão: recolhimento do óleo de cozinha usado para posterior troca por produtos de limpeza; redução do consumo de energia elétrica com a troca de lâmpadas incandescentes e fluorescentes por modelos de led; troca de bombas de recalque antigas por novas com menor consumo de energia; instalação de luz nos corredores com acendimento via sensor de presença e com desligamento automático; colocação de luzes na garagem e áreas externas com acendimento controlado por célula fotoelétrica; redução no tempo de ligamento da bomba da piscina; substituição das plantas dos jardins por espécies que não necessitam de água diariamente e que sobrevivem apenas com a água da chuva; individualização da cobrança do consumo de água, através de instalação de hidrômetros individuais (a obra será iniciada no final de setembro); e implantação da coleta seletiva até o final deste ano. “O ideal é iniciar por medidas mais simples, que não necessitem da adesão de todos os moradores, mas que sejam eficientes”, comenta o síndico.

O sonho de muitos síndicos é aproveitar a água da chuva para molhar o jardim ou lavar as áreas comuns do prédio. O reuso de água da chuva diminui significativamente o consumo de água do edifício e, consequentemente, os gastos no fim do mês. Mas, antes de comprar um reservatório para armazenar a água deve-se observar se há espaço e estrutura em seu condomínio para implantar um sistema como este. A mesma avaliação deve ser feita antes de adquirir placas solares para a utilização de energia solar. Mais do que diminuir os custos de energia é preciso verificar se o prédio possui espaço suficiente para acomodar os painéis.

Lembre-se: Tudo deve ser feito com muito planejamento. Procure por profissionais capacitados, informe-se sobre o assunto e troque experiências com outros síndicos que já têm projetos similares àqueles que você deseja implantar. “É difícil ser 100% sustentável, mas há níveis. O desafio é encontrar sempre um jeito de economizar mais. Mesmo após a construção, podemos pensar em soluções”, acredita Carolina.

Atitudes sustentáveis

A sustentabilidade é basicamente constituída de três vertentes: ambiental, financeira e social. Então, para uma ação ser sustentável, não basta ser ecologicamente correta, tem que caber no seu bolso e contribuir para a sociedade, ou seja, a sustentabilidade é o equilíbrio entre o quanto será gasto, o quanto impacta o meio-ambiente (direta e indiretamente) e o quanto isso influencia na sociedade. E tudo isso deverá ser levado em consideração antes das tomadas de decisão de uma obra, reforma ou retrofit.

“Muitas pessoas acham que a sustentabilidade ainda é cara, mas apesar das adaptações terem um valor alto no início, o resultado pode ser visto rapidamente com redução de custos e contribuição ao meio ambiente. A maior dica é todos se unirem para adaptar o condomínio a uma realidade mais sustentável. O primeiro passo é começar pelos itens que são mais utilizados, com o reaproveitamento de água, a instalação de placas solares e a separação de lixo”, sugere Carolina Niemeyer.

A educação ambiental é muito importante nesse sentido. Todas as ações tomadas devem ser comunicadas aos moradores, a fim de incentivá-los a adotar as práticas em suas casas e também mostrar que o condomínio está interessado em investir em sustentabilidade, o que reflete diretamente na qualidade de vida de todos.

As orientações podem ser fornecidas através de informativos nos elevadores, circulares, distribuição de folders, reuniões, atividades de recreação com crianças, treinamentos, entre outras ações. Atitudes simples que podem começar a inspirar uma vida com mais atenção à sustentabilidade. Lembre-se também de educar os funcionários para que aprendam a utilizar os materiais de forma consciente e sintam-se também parte da mudança no condomínio.