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Edifícios em avaliação: 12 certificações de construção sustentável para conhecer

Por Revista Síndico
Última atualização: 15/03/2021
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Building illustrations by Radoman Durkovic. Image © ArchDaily
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Relatório Brundtland, de 1987 -“Nosso Futuro comum”- trouxe a noção de que o uso sustentável dos recursos naturais deve “suprir as necessidades da geração presente sem afetar a possibilidade das gerações futuras de suprir as suas”. Desde então, o termo sustentabilidade tem sido cada vez mais popularizado e, muitas vezes, banalizado nos nossos cotidianos. Na indústria da construção civil isso não é diferente. Por mais que saibamos que para construir, precisamos destruir, de que forma é possível mitigar os impactos na construção, durante a vida útil e na demolição das edificações? Um edifício sustentável, na sua concepção, construção ou operação, deve reduzir ou eliminar os impactos negativos e podendo até criar impactos positivos no clima e meio ambiente, preservando recursos e melhorando a qualidade de vida dos ocupantes. Dizer que um edifício é sustentável é algo fácil e até sedutor. Mas o que torna, exatamente, uma construção sustentável?

Responder isso pode não ser tão simples. É por isso que nos últimos 30 anos foram criadas diversas certificações de sustentabilidade de edificações, que através de avaliações terceirizadas e imparciais de diversas esferas, são verificados os aspectos sustentáveis de uma construção. Cada uma delas concentra-se em aspectos particulares e, muitas vezes, são mais focadas em determinadas regiões do mundo. Enquanto há certificações que atestam se a edificação atende ou não a critérios de eficiência ou impactos, outras criam distintas classificações, segundo a pontuação recebida pela edificação para os diferentes aspectos.  Abaixo, listamos algumas das principais certificações de sustentabilidade existentes no mundo, alfabeticamente, suas principais aplicações e uma breve explicação:

Active House

  • País de origem: Dinamarca
  • Ano: 2017
  • Aplicações: Novas edificações; Edifícios Existentes e Remodelações

Active House é um selo de qualidade para edifícios confortáveis e sustentáveis. Aconselha sobre os elementos que são importantes para a vida do ser humano e para o seu lar. Seus focos principais são em relação à redução do uso de recursos durante a construção e a vida útil da edificação e em aspectos de conforto visual, térmico e acústico. Pode ser aplicado para edifícios de até aproximadamente 2.000 m² e há planos de expandir a avaliação para incluir escritórios maiores.

BREEAM (Building Research Establishment Environmental Assessment Method)

  • País de origem: Reino Unido
  • Ano: 1990
  • Aplicações: Novas construções; Interiores; Renovações; Edifícios comerciais existentes e Áreas urbanas
Sede da Tagusgás, por Saraiva + Associados, certificado por BREEAM. Image © Fernando Guerra | FG+SG
Sede da Tagusgás, por Saraiva + Associados, certificado por BREEAM. Image © Fernando Guerra | FG+SG

Foi o primeiro sistema de certificação do mundo a avaliar, classificar e certificar a sustentabilidade de edifícios, e continua sendo extremamente popular. BREEAM tem como focos Energia; Saúde e bem-estar; Inovação; Uso do solo; Materiais; Gestão; Poluição; Transporte e Desperdício envolvidos no edifício.

CASBEE (Comprehensive Assessment System for Built Environment Efficiency)

  • País de origem: Japão
  • Ano: 2001
  • Aplicações: Novas construções; Renovações e Edifícios existentes
Shell House, por Tono Mirai Architects, certificado por CASBEE. Image © takeshi noguchi
Shell House, por Tono Mirai Architects, certificado por CASBEE. Image © takeshi noguchi

É um método para avaliar e classificar o desempenho ambiental de edifícios e do ambiente construído. CASBEE foi desenvolvido por um comitê de pesquisa estabelecido em 2001 através da colaboração da academia, indústria e governos nacionais e locais, que estabeleceram o Japan Sustainable Building Consortium (JSBC) sob os auspícios do Ministério de Terras, Infraestrutura, Transporte e Turismo (MLIT) .

O processo de certificação de forma simplificada é feito através do cálculo de um quociente, a Eficiência do Ambiente Construído (Built Environment Efficiency-BEE).

DGNB (Deutsche Gesellschaft für Nachhaltiges Bauen)

  • País de origem: Alemanha
  • Ano: 2007
  • Aplicações: Novas construções; Interiores comerciais; Renovações; Edifícios existentes e Áreas urbanas

O Sistema DGNB foi criado em 2007 pelo Conselho Alemão de Sustentabilidade e é principalmente usado na Alemanha e seus países vizinhos. Baseia-se no conceito de sustentabilidade holística, colocando igual ênfase no meio ambiente, nas pessoas e na viabilidade comercial. Foca não apenas na sustentabilidade, mas também na boa qualidade técnica e dos processos envolvidos, além da flexibilidade permite fácil adoção em diversos tipos de edificações.

Green Globes

  • País de origem: EUA
  • Ano: 2004
  • Aplicações: Novas construções; Renovações e Interiores
The Clinton Presidential Center / Polshek Partnership and Hargreaves Associates. Certificado por Green Globes. Image © Timothy Hursley
The Clinton Presidential Center / Polshek Partnership and Hargreaves Associates. Certificado por Green Globes. Image © Timothy Hursley

Trata-se de um sistema de classificação de construção que oferece suporte a uma ampla variedade de tipologias de projetos de construção e edifícios existentes. Foi projetado para permitir que proprietários e gerentes de edifícios selecionem quais recursos de sustentabilidade se ajustam melhor a seus edifícios e ocupantes, e o selo reconhece com a certificação projetos que atendem a pelo menos 35% dos 1.000 pontos disponíveis. Foi criado como uma ferramenta de auto-avaliação online e, portanto, busca ser simples o suficiente para que qualquer agente responsável possa avaliar o seu próprio edifício através do preenchimento de questionários pela internet.

Green Star

  • País de origem: Austrália
  • Ano: 2003
  • Aplicações: Novas construções (com exceção de residências unifamiliares); Interiores; Renovações; Edifícios existentes e Áreas urbanas

Lançado pelo Green Building Council of Australia (GBCA), o selo Green Star avalia os atributos de sustentabilidade de um projeto por meio de categorias de impacto: Gestão; Qualidade do ambiente interno; Energia; Transporte; Água; Materiais; Uso do Sola e Ecologia e Emissões. É usado na Nova Zelândia desde 2007 e na África do Sul com o nome Green Star SA desde 2008. Quatro ferramentas de classificação disponíveis para certificação:

  1. Comunidades – Certificar um plano de desenvolvimento em escala de distrito.
  2. Design & As Built – Certifica o projeto e a construção, ou grande reforma, de um edifício.
  3. Interiores – certificar a adaptação do interior de um edifício.
  4. Desempenho – Certifica o desempenho operacional de um edifício existente.

HQE (Haute Qualité Environnementale)

  • País de origem: França
  • Ano: 1995
  • Aplicações: Novas construções; Interiores comerciais; Renovações; Edifícios existentes e Áreas urbanas
Tour First / KPF. Certificado por HQE. Image © Hufton+Crow
Tour First / KPF. Certificado por HQE. Image © Hufton+Crow

É a certificação francesa concedida a projetos de construção e gestão de edifícios, bem como de planejamento urbano. O HQE tem quatro princípios com 14 objetivos usados para estruturar um conjunto de critérios. Os objetivos são ponderados igualmente entre o bem-estar dos humanos e a proteção do planeta.

LBC (Living Building Challenge)

  • País de origem: EUA
  • Ano: 2006
  • Aplicações: Novas construções; Renovações; Edifícios existentes e Áreas urbanas
San Diego studio / Miller Hull Studio. Certificado por LBC. Image © Chipper Hatter
San Diego studio / Miller Hull Studio. Certificado por LBC. Image © Chipper Hatter

Para obter a certificação, os edifícios devem gerar mais energia do que usam, captar e tratar água suficiente no local e ser construídos com materiais saudáveis. Tem o foco na dimensão social da sustentabilidade. Isso se deve principalmente a todos os 7 princípios (Local, Água, Energia, Saúde, Materiais, Patrimônio e Beleza), enquanto apenas alguns princípios enfocam a sustentabilidade ambiental.

LEED (Leadership in Energy and Environmental Design)

  • País de origem: EUA
  • Ano: 1998
  • Aplicações: Novas construções; Interiores; Renovações; Edifícios comerciais existentes e Áreas urbanas
Makers Quarter Block D Office Building / BNIM. LEED Platinum. Image © Nick Merrick
Makers Quarter Block D Office Building / BNIM. LEED Platinum. Image © Nick Merrick

Desenvolvido pelo U.S. Green Building Council, é um dos maiores sistemas de certificação existentes, e o mais difundido no mundo. Concentra-se principalmente nos aspectos ambientais e sociais da sustentabilidade da construção, sobretudo na eficiência hídrica e energética, na redução das emissões de CO2, na promoção de um clima interior saudável e confortável e em materiais de construção renováveis. Os Projetos são analisados por 8 dimensões:

  1. Localização e Transporte
  2. Espaço Sustentável
  3. Eficiência do uso da água
  4. Energia e Atmosfera
  5. Materiais e Recursos
  6. Qualidade Ambiental Interna
  7. Inovação e Processos
  8. Créditos de Prioridade Regional

Todas possuem pré-requisitos (práticas obrigatórias) e créditos (recomendações) que a medida que atendidos, garantem pontos à edificação. O nível da certificação é definido, conforme a quantidade de pontos adquiridos, podendo variar de 40 pontos a 110 pontos. Os níveis são: Certified, Silver, Gold e Platinum.

NABERS (National Australian Built Environment Rating System)

  • País de origem: Austrália
  • Ano: 1999
  • Aplicações: Edifícios existentes
GPT / Woods Bagot. Certificado por NABERS. Image © Tyrone Branigan
GPT / Woods Bagot. Certificado por NABERS. Image © Tyrone Branigan

NABERS é usado para medir a eficiência energética de um edifício, as emissões de carbono, bem como a água consumida, os resíduos produzidos e compará-lo com edifícios semelhantes. Os pontos analisados são:

  1. Uso de energia e emissões de efeito estufa
  2. Uso de refrigeradores (Potencial de Aquecimento Global)
  3. Uso de água
  4. Área permeável
  5. Controle de poluição da água pluvial
  6. Volume de esgoto expelido
  7. Diversidade do paisagismo
  8. Transporte
  9. Materiais tóxicos
  10. Qualidade do ar interno
  11. Satisfação dos ocupantes
  12. Resíduos

Nordic Swan

  • País de origem: Países Nórdicos
  • Ano: 2005
  • Aplicações: Novos edifícios residenciais; Novas escolas e pré-escolas
Allé Youth Housing / WE architecture. Certificado por Nordic Swan. Image © Rozbeh Zavari
Allé Youth Housing / WE architecture. Certificado por Nordic Swan. Image © Rozbeh Zavari

É o rótulo ecológico oficial para os países nórdicos, que certifica muitos outros produtos, além de edifícios. Concentra-se na redução do consumo de recursos e na proibição de materiais e compostos tóxicos. Na parte da construção, o rótulo se concentra em minimizar os níveis de toxicidade nos materiais durante todo o ciclo de vida. Além disso, também avalia sobre o uso de energia e recursos durante a construção e a vida útil da edificação, além de aspectos de reciclagem.

WELL

  • País de origem: EUA
  • Ano: 2014
  • Aplicações: Novas construções; Interiores; Renovações; Edifícios existentes e Áreas urbanas
Sede da Symantec. Certificado por WELL. Image Cortesia de Little
Sede da Symantec. Certificado por WELL. Image Cortesia de Little

É uma certificação que mede o bem-estar e a saúde dos usuários de um edifício, focada quase que inteiramente na dimensão social da sustentabilidade. Fornece uma estrutura de análise para as equipes de projeto incorporarem uma variedade de estratégias destinadas a colocar a saúde humana e o bem-estar no centro do projeto, construção e operações.

O objetivo desse artigo foi traçar um panorama abrangente de algumas das certificações de sustentabilidade de edifícios. Há outras certificações de sustentabilidade para produtos e, inclusive, selos de construção que não foram incluídos aqui. É sabido que os edifícios consomem cerca de 40% da energia mundial, emitem 40% das emissões de carbono do mundo e usam 20% da água potável disponível no mundo. Tornar a construção civil uma indústria de menor impacto, através de maior eficiência nos processos, melhores materiais e escolhas mais conscientes é algo de vital importância em escala mundial. As certificações podem contribuir para essa transformação, principalmente por uma mudança de mentalidade do próprio mercado, do público alvo das construções. Há empresas, por exemplo, que guiam as escolhas por novos imóveis a localizar suas sedes por conta dos atributos sustentáveis dos edifícios. É por essas e outras que, muitas vezes, as certificações são vistas mais como ferramentas de marketing do que, de fato, preocupações reais dos agentes envolvidos em relação ao meio ambiente. Ter uma certificação garante, realmente, sustentabilidade? E um edifício que não passou pelo processo será menos verde que outro certificado? Impossível responder. De qualquer forma e com limitações visíveis, as certificações poderão ser agentes para desencadear transformações na indústria.

Para mais informações sobre grande parte das certificações citadas nesse artigo, acesse o Guide to Sustainable Building Certifications, que faz uma comparação detalhada entre cada um.

Fonte: ArchDaily

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