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Lixo no lixo: o desafio dos condomínios

Por Revista Síndico
Última atualização: 26/05/2022

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Um dos principais desafios da gestão condominial é o gerenciamento de resíduos e o descarte correto do lixo. Isso porque o processo envolve organização e alinhamento entre a administração do condomínio, os funcionários, e acima de tudo, educação e conscientização dos moradores.

Vigente desde agosto de 2010, a Lei Federal 12.305, que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), determina a responsabilidade sobre a coleta e reciclagem de resíduos. O texto diz que cabe aos condomínios e aos seus moradores a responsabilidade da instalação de um sistema de coleta seletiva e da separação dos resíduos em três categorias: recicláveis, orgânicos e rejeitos. Dessa forma, todo condomínio precisa estar em conformidade com a legislação e disponibilizar diferentes locais de depósito de lixo para os moradores.

De acordo com o Panorama de Resíduos Sólidos no Brasil (2021)*, durante o período da pandemia, a geração de resíduos sólidos nos domicílios brasileiros cresceu 4%, ou seja, cada pessoa produz em média cerca de 1 quilo de lixo por dia e os condomínios residenciais são considerados os grandes geradores de resíduos.

Para o biólogo e sanitarista, Guilherme Andrei, é imprescindível que prédios e condomínios tenham um programa de coleta seletiva de resíduos, que conte com a separação do lixo orgânico e do material reciclável. 

“O descarte correto de resíduos é uma responsabilidade de todos nós, afinal, todos usufruem do meio ambiente e das consequências da falta de cuidado com ele. A regra é clara: lixo deve ser jogado no lixo. Existe uma legislação para isso e que deve ser respeitada por todos os cidadãos”. Guilherme ainda sugere: “uma ação importante é desenvolver programas de coleta seletiva e investir em projetos de conscientização dos moradores, afinal, eles também podem ser afetados pelo descarte incorreto do próprio lixo”, finaliza. 

Para que o morador descarte o lixo no local certo é preciso que haja um local para isso. Dessa forma, é necessário que sejam disponibilizadas lixeiras diferentes, como orgânico, seco, papel e vidro, por exemplo, e que essa área seja coberta, de modo a evitar exposição ao sol e à chuva. Além disso, é importante conscientizar os moradores a depositarem o lixo no local correto, caso contrário, de nada adianta ter essas lixeiras separadas. A área também deve ser bem sinalizada para evitar que algum morador alegue que não a tenha visto. 

Outra informação importante é orientar sobre o tipo de embalagem a ser usada no acondicionamento do lixo, normalmente as mais utilizadas são sacos pretos e/ou sacolas de supermercado. Em se tratando de lixo, o indicado é que os moradores observem os locais corretos de depósito e separem os resíduos a serem reciclados. Além disso, eles também são responsáveis por orientar os visitantes a não colocarem lixo doméstico nas áreas comuns, como piscinas e playgrounds. As crianças também podem ser educadas a não jogarem lixo pelas janelas dos apartamentos e nem os descartarem nos elevadores.

Todas essas medidas são necessárias em prol da estruturação do descarte correto do lixo nos condomínios. Alguns sugerem até a instalação de lixeiras nas escadas ou, ainda, no final dos corredores dos andares. À primeira vista, pode parecer algo positivo, porém, a prática não é recomendada pelo Corpo de Bombeiros, pois as lixeiras podem impedir ou dificultar o combate a incêndios no caso de uma eventualidade. Outros ainda exigem a disposição do lixo nas lixeiras somente nos dias de coleta, sujeitando o morador à multa em casa de descumprimento. 

Mais uma questão importante nesse processo é sobre os responsáveis por manipular esses materiais. Os profissionais de limpeza devem receber treinamento, usar equipamentos adequados e outras medidas para evitar ferimentos e ocorrências mais graves. Dependendo da função que exercem podem inclusive receber pagamento por insalubridade.

A verdade é que nada adianta ter funcionários treinados e lixeiras espalhadas e separadas pelo condomínio, se os próprios moradores não fizerem o seu papel e não contribuírem com a separação dos seus resíduos. O síndico pode estipular em assembleia penalidades para os casos de descumprimento de regras, que podem ir desde advertência formal até multa proporcional à taxa de condomínio. Para que isso não aconteça é preciso mantê-los informados sobre a separação do lixo e o descarte correto do mesmo através de comunicados, avisos nos elevadores ou até em mensagem via aplicativos. 

A síndica do condomínio Torre de Bronze, localizado na zona sul do Rio de Janeiro, Amélia Maia afirma que já enfrentou muitos problemas com o gerenciamento do lixo, mas hoje conta com a colaboração dos próprios moradores na separação dos resíduos.

“Quando assumi a gestão do condomínio não havia lixeira para lixos orgânicos e recicláveis, todos eram jogados no mesmo recipiente e embalados de maneira inadequada. Isso gerava mau cheiro nos corredores, uma má impressão na região da lixeira, atraía insetos e até roedores”, lembra a síndica. 

Diante do grande problema que tinha nas mãos, Amélia resolveu colocar ordem no processo e após dois anos de muito trabalho e insistência, hoje o condomínio é um exemplo de separação e destinação correta de resíduos. 

“Esse era um problema que me incomodava enquanto moradora e no meu primeiro mandato como síndica foi um dos principais problemas que fiz questão de resolver. Após muita análise, organização e colaboração dos moradores, hoje podemos contar com uma área destinada ao descarte correto de resíduos orgânicos e recicláveis”, comemora a síndica. 

A comunicação é a ferramenta primordial para o sucesso no gerenciamento de resíduos nos condomínios, assim como o exemplo do Torre de Bronze, é importante que se aposte em diversos canais de diálogo com os diferentes públicos do condomínio, como funcionários, moradores, visitantes e prestadores de serviço. Seja conversando pessoalmente ou através de comunicados, é importante mantê-los engajados e envolvidos no processo, mostrando todos os benefícios da adoção dessas medidas. Afinal, a destinação correta do lixo é fundamental para manter um ambiente agradável, saudável e seguro para todos, além de contribuir para a preservação do meio ambiente.

 

Por: Juliana Marques

*Fonte: RMAI

 

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