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Você sabe o que é o Biodesign?

Por Revista Síndico
Última atualização: 14/06/2021
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Você sabe o que é biodesign? A técnica que vem aos poucos conquistando mais espaço no mercado do design e da arquitetura tem como objetivo colocar a biologia e os elementos naturais a favor do design e das cidades. No biodesign, os materiais utilizados são organismos vivos, integrados aos projetos ou produtos. 

Técnicas sustentáveis como esta vêm crescendo nos últimos anos, por conta da necessidade urgente de adaptarmos nossos costumes, que, de uma forma geral, em nada estão alinhados com as práticas ambientais.

“Já está mais que entendido que o “biodesign” e/ou a “arquitetura biofílica” de maneira sábia e equilibrada só trará benefícios às residências, locais de trabalho e às nossas cidades”, explica o arquiteto e consultor em estratégia e business intelligence, Carlos Ozeko, especialista nas vertentes essencialista e minimalista.

Para Ozeko, o biodesign não pode ser classificado como uma tendência, mas sim como um movimento contínuo e crescente de ressignificação de elementos e produtos, em escala global.

“Por exemplo, o futuro e a evolução da construção sustentável se faz mais presente do que nunca, pois hoje já é possível revolucionar toda a cadeia produtiva da indústria da construção utilizando métodos e processos do biodesign, que ressignificam desde a matéria-prima até o fim de vida útil de um produto ou serviço – completa o arquiteto”, diz.

Para ele, o biodesign se aplica à arquitetura de variadas formas que vão desde métodos, processos e projetos a serviços e produtos, mas também de uma maneira conceitual: “podemos dizer que é um mindset ou lifestyle”. 

Assim como Oseko, que já aplica técnicas de biodesign no seu dia a dia, o pesquisador Carlos Hoelzel, professor na Universidade Federal de Goiás desde 2014, tem um trabalho focado na produção de materiais no EcoLab, um laboratório especializado em biodesign, criado por ele e em atividade na universidade. Por lá, Hoelzel e os alunos desenvolvem novos produtos com materiais vivos. Agora, por exemplo, trabalham num protótipo de palmilha com princípios ativos medicinais.

“Com a produção de biodesign, nós não envolvemos a indústria e ressignificamos esse material. A sua produção por si só já é uma forma de conscientização, pois quando você recebe um produto diferenciado, ele já educa. A outra questão é que quando você desenvolve uma relação entre usuário e produto, ele passa a sentir um maior pertencimento do processo de produção, é como se o usuário também fosse um produtor – explica o especialista, que trabalha com processos artesanais e impressões 3D em suas criações, evitando assim os processos industriais.

Seja na arquitetura ou na criação de produtos, ambos os especialistas concordam que o biodesign não é uma técnica cara, pelo contrário, o objetivo aqui é justamente o contrário, ser acessível, barato e fácil de produzir. Eles também estão de acordo ao afirmarem que tais práticas sustentáveis não são mais o futuro, mas sim o presente.

O biodesign terá que ser visto com ‘futuralidade’ – conceito que deve ser modelo mental de todos, ver o ‘futuro’ e as mudanças com naturalidade. Acho que nosso comportamento típico de produzir e consumir será contínuo. Mas a produção e o consumo estarão mais integrados com os ecossistemas e tentarão até melhorá-los”,  afirma Oseko, que tem uma perspectiva otimista quanto ao futuro do biodesign.

“Imagino casas híbridas construídas, em parte, com árvores vivas. Residências geradoras de energia, que usam soluções biológicas para digerir lixo. E por que não autoprodução de tanques hidropônicos, nos lares e condomínios? Vejo o modelo “Eco-High-Tech” sendo implementado desde o “mindset” da geração perpassando pelos hábitos culturais, e consequentemente em concretização de micro soluções ao meio ambiente urbano e ambiental através de soluções do biodesign”, conclui. 

 

BOX: Conheça exemplos de projetos com bio-design recomendados por Carlos Oseko: 

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Para o especialista Carlos Oseko, o biodesign é um movimento contínuo e crescente de ressignificação de elementos e produtos, em escala global.

Aguahoja Project: Neri Oxman, arquiteta israelense, tem trabalhado com biocompostos e estuda materiais da natureza, como a pectina da casca da maçã, corais ou a seda do bicho da seda para entender a estrutura por trás desses produtos biológicos. A partir disso, cria-se uma matéria-prima artificial, mas que na verdade foi gerada pela natureza. Conheça: https://oxman.com/projects/aguahoja

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Mais um projeto criado pela dupla Carlos Osenko e Jr Goes – novamente, através da aplicação do biodesign

Te Shell Works: Equipe multidisciplinar da Shell Works que encontrou uma maneira de fazer embalagem compostável a partir da extração de um biopolímero chamado “quitina” dos resíduos de frutos do mar, transformando cascas de lagosta em plástico reciclável biodegradável. Conheça: https://www.theshellworks.com/ 

“Pedra do mar”: Em torno de sete milhões de toneladas de conchas são descartadas todos os anos, e a maioria vai para aterros sanitários. Em contraponto a essa situação, a dupla de designers Jihee Moon e Hyein Hailey Choi, do Newtab-22, criaram a chamada “Pedra do Mar”. Um material sustentável feito de conchas do mar com propriedades físicas semelhantes às do plástico. O material é natural e não-tóxico. Conheça: https://www.newtab-22.com/

Emerging Objects – A Emerging Objects, empresa sediada em São Francisco, na Califórnia, está se tornando uma referência em projetos inovadores de impressão em 3D.  Suas criações incluem um tijolo cerâmico poroso que esfria passivamente os interiores, um bule impresso a partir do chá, móveis feitos de pneus reciclados e uma pequena casa, apelidada de Cabine de Curiosidades impressas em 3D! Conheça: http://emergingobjects.com/project/cabin-of-3d-printed-curiosities/ )

Black Ocean Dress: Com o objetivo de aumentar a conscientização sobre a poluição do oceano por plástico, o projeto Black Ocean Dress (2018) foi criado pela estilista Julia Daviy ,que é uma ecologista que viu na impressão 3D a oportunidade de reduzir os custos ambientais associados à produção de roupas. https://juliadaviy.com/blackparametric-black-ocean-dress-by-julia-daviy-3d-pen-art-parametric-dress/ )

Mesa de musgo Bio Fotovoltaico – a mesa emprega musgos como fonte de energia renovável para acender a luminária integrada ao móvel. Compõem-se de plástico ABS, acrílico, fibra de carbono, papel carbono com micropartículas de platina, neoprene, musgos e terra. Projeto do colombiano radicado na Inglaterra Carlos Peralta, do inglês Alex Driver e do italiano Paolo Bombelli: http://thisisalive.com/biophotovoltaic-moss-table/ 

Por: Mário Camelo

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